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SUVs e esportivos de luxo: na pandemia, quem brilha são carros mais caros

Murilo Góes/UOL
Imagem: Murilo Góes/UOL
Leandro Alves

Neste espaço a equipe de AutoData, sob a coordenação do diretor de redação Leandro Alves, trará os bastidores da indústria automotiva, que são de extrema importância para os negócios e o futuro do setor no Brasil e no mundo. Seu próximo carro pode passar primeiro por aqui. Antes mesmo dele existir! Conheça nosso trabalho em www.autodata.com.br

Colunista do UOL

06/11/2020 04h00

Um em cada quatro veículos leves vendidos no mês passado foi utilitário esportivo. Os SUVs já são, atualmente, os automóveis mais procurados pelos brasileiros: até outubro foram 403,1 mil unidades licenciadas, volume 16,4% menor do que em igual período do ano passado.

O mercado, no geral, apresentou recuo bem maior, de 30% na mesma base de comparação. E o segmento SUV foi o que menos caiu dentre os mais volumosos. Passou a líder em participação: 26,8% das vendas em 2020 foram SUVs, ante 24,8% dos hatches, que, no período, registraram queda de 40,2% nas vendas.

De janeiro a outubro do ano passado o cenário era inverso: 28,6% das vendas de veículos leves no Brasil foram modelos hatch, ante 22,2% de SUVs. Os utilitários esportivos haviam superado os sedãs, que representavam em 2019 21,2% das vendas - até outubro de 2020 a participação dos sedãs recuou ainda mais, indo a 18,4%.

Os SUVs roubaram participação de quase todos os segmentos. Muito se lembra das picapes, cuja demanda estaria acelerada pela força do agronegócio, mas não é o que aponta os números da Fenabrave: os utilitários perderam participação de 2019 para 2020, caindo de 13% para 12% das vendas.

Ao analisar os números, outra máxima muito repetida por gente que acompanha o setor é desmentida: os veículos de entrada mantêm sua fatia no mercado brasileiro. De janeiro a outubro foram 161 mil unidades comercializadas, recuo de 29,3% sobre o mesmo período de 2019 - queda inferior, portanto, à média do mercado. A participação deles subiu de 10,5% para 10,7% de um ano para o outro.

Os brasileiros compraram, também, mais esportivos: de janeiro a outubro do ano passado foram contabilizados 1,5 mil emplacamentos destes modelos de alto valor. Em 2020, até outubro, já foram mais de 1,8 mil unidades vendidas, quase 20% de crescimento.

O comentário de executivos do setor é que os brasileiros estão "se premiando" com carros caros, uma vez que, com a pandemia, as viagens para o Exterior e outros gastos foram postergados.

2 milhões? A dois meses do fim do ano o mercado brasileiro soma 1 milhão 589 mil veículos vendidos. Em setembro foram mais de 200 mil.

2 milhões. Restam, portanto, 411 mil para que se passe da barreira dos 2 milhões em 2020, algo inimaginável no começo da pandemia e totalmente fora de cogitação no início do ano, quando os executivos projetavam 3 milhões. Chegaremos? Muitos executivos que participaram do Congresso AutoData Perspectivas 2021 acreditam que sim. E que em 2021 o mercado alcançará 2,5 milhões de unidades.

Assina e vai. A Volkswagen, em parceria com sua rede e seu braço financeiro, deu os primeiros passos rumo ao carro de assinatura. Preço: R$ 1 mil 899 por mês para ter um T-Cross 200 TSI em casa, com seguro, documentação e manutenção preventiva incluídos.

Preço acessível. A Porto Seguro já opera há mais de um ano serviço semelhante, o Carro Fácil. Por esse valor o consumidor consegue assinar um Hyundai HB20 Sedan.

Concorrência larga. As montadoras estão entrando, com certo atraso, em um segmento que parece ser promissor e é dominado, hoje, pelas locadoras. Gustavo Schmidt, vice-presidente de vendas e marketing da Volkswagen, desconversou sobre o fato de concorrer com um de seus principais clientes, as locadoras de veículos: "Tem espaço para todos".

Prateleira de cima. Nesta primeira etapa, justamente para se diferenciar das locadoras, a VW mirou consumidores de mais poder aquisitivo: "Nossos clientes buscam carros de R$ 100 mil a 200 mil".

* Colaboraram André Barros e Vicente Alessi, filho