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Recuperação do mercado de veículos deve chegar dois anos antes do previsto

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Imagem: Divulgação
Leandro Alves

Neste espaço a equipe de AutoData, sob a coordenação do diretor de redação Leandro Alves, trará os bastidores da indústria automotiva, que são de extrema importância para os negócios e o futuro do setor no Brasil e no mundo. Seu próximo carro pode passar primeiro por aqui. Antes mesmo dele existir! Conheça nosso trabalho em www.autodata.com.br

Colunista do UOL

04/09/2020 04h00

O brasileiro gosta mesmo de carro. Nem mesmo o impacto da covid, colocando o País em segundo lugar no número de infecções, freou a venda de veículos. O ritmo acelerado da média diária de vendas surpreendeu em agosto, segundo dados preliminares: 15% sobre julho. Foi o suficiente para alguns executivos e especialistas do setor refazerem os cálculos adicionando uma boa dose de otimismo na recuperação. O que era para acontecer em 2025 deve ocorrer logo ali, em 2023.

A expectativa no início da pandemia, em março, abril e maio, era a de que o tombo seria grande e a recuperação lenta. A indústria projetava que o volume de vendas registrado em 2019, ou seja, um mercado interno de 2,8 milhões de unidades, só voltaria a se repetir em 2025.

Mas durante 2º Congresso de Negócios da Indústria Automotiva Latino-americana, realizado esta semana pela AutoData Editora, alguns executivos afirmaram que há otimismo na reativação da cadeia automotiva. E os resultados de vendas nos últimos dois meses projetam um cenário menos preocupante adiante.

Dois presidentes de montadoras, Antonio Filosa, da FCA, e Carlos Zarlenga, da GM, projetam que em 2023 as vendas possam estar próximas das 2,8 milhões de unidades de 2019.
"O pessimismo é um sentimento que deve ficar no passado", é a visão que Antonio Filosa está adotando dentro da FCA.

Zarlenga, da GM, foi o primeiro a antecipar para 2023 o desempenho pré-pandemia durante o congresso de AutoData latino-americano. E nessa conta ele também incluiu a América do Sul, que tem potencial para se aproximar das 4 milhões de unidades em três anos: "No ano que vem a América do Sul registrará em torno de 3,4 milhões de unidades, 2,3 milhões no Brasil. Um crescimento de 20% sobre este ano por causa da pandemia e das medidas de isolamento".

Sobrevivência. Enquanto alguns executivos brasileiros fazem as contas para rever o desempenho do mercado nos últimos quatro meses de 2020 e, assim, reprogramar as linhas produtivas, os revendedores em outros países estão mais preocupados em sobreviver. Para Guillermo Treviño, presidente da Aladda, a associação que reúne os distribuidores na América Latina, "é preciso proteger o patrimônio, os investimentos e, sobretudo o capital humano das empresas associadas. Voltaremos a crescer, mas o momento é de prudência".

Usados fantasmas. O México, por exemplo, passa por uma situação dramática que os números não capturam. De acordo com a associação dos fabricantes houve uma retração de 35,5% na produção no primeiro semestre. E um declínio das vendas de 31,8% no mesmo período. Resultados ligeiramente melhores dos registrados em outros países como Argentina, Chile e também no Brasil.

Usados fantasmas 1. Porém, segundo o presidente da Aladda, outro concorrente não permite que o mercado tenha uma expansão maior. São os veículos usados. Há um volume significativo de usados, que chegam ao México pela fronteira com os Estados Unidos, que contamina o mercado constantemente: "São veículos muitas vezes completamente deteriorados e até modificados, utilizando o motor de outro modelo, por exemplo. Agora, depois da entrada no México, esses veículos que chamamos de fanstasmas estão sendo escoados para outros países, como a Guatemala. É uma questão que nos preocupa e incomoda".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.