PUBLICIDADE
Topo

Média diária de vendas indica que mercado já recuperou metade das perdas

 Lucas Lacaz Ruiz/A13
Imagem: Lucas Lacaz Ruiz/A13
Leandro Alves

Neste espaço a equipe de AutoData, sob a coordenação do diretor de redação Leandro Alves, trará os bastidores da indústria automotiva, que são de extrema importância para os negócios e o futuro do setor no Brasil e no mundo. Seu próximo carro pode passar primeiro por aqui. Antes mesmo dele existir! Conheça nosso trabalho em www.autodata.com.br

Colunista do UOL*

17/07/2020 09h57

Assim como a pandemia vai, insistentemente, apresentando o aumento do contágio por causa do comportamento das pessoas (o que, no caso da covid-19, não é uma boa notícia), o mercado automotivo também vê gráficos de vendas apontando para uma curva de crescimento, de recuperação. E essa retomada gradual das vendas é identificada tanto no mercado de novos quanto em veículos usados.

Os dados mais recentes obtidos por AutoData mostram que houve um aumento acima de 50% dos volumes perdidos nos meses mais difíceis da quarentena. Esse desempenho ainda está longe do período pré-pandemia, é verdade, mas trata-se de um sinal importante para o desenvolvimento de táticas de vendas que mantenham consistente a recuperação do mercado interno. E o interesse do consumidor.

No segmento de carros novos o resultado consolidado na quinta-feira, quando se encerrou a primeira quinzena de julho, apontou crescimento de 50,5% sobre as vendas do mês anterior. Foram 77,5 mil veículos negociados.

Pode-se desconsiderar desse resultado os efeitos de emplacamentos represados por causa da paralisação das atividades dos Detran, o que sugere um impacto menor na recuperação. As vendas diárias demonstram, contudo, que está em curso um movimento ascendente dos negócios no setor automotivo.

Considerando as vendas de automóveis e veículos comerciais o ritmo diário, em julho, cresceu 38,1% com relação a junho, segundo o Renavam. Foram pouco mais de 7 mil unidades negociadas diariamente na quinzena.

Este desempenho revela que desde abril e maio, quando a média diária foi de 2 mil unidades, as piores do período da quarentena, o mercado já recuperou mais da metade do ritmo de vendas pré-pandemia, que em julho de 2019 foi de 10,5 mil unidades e em março deste ano superou 11 mil unidades.

O segmento de usados também apresenta uma recuperação rápida e ainda mais consistente. Levando em conta somente os automóveis e veículos comerciais, seminovos e usados, as 576 mil 431 unidades negociadas em junho - o número mais atual de um estudo da Fenauto, Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores - representam crescimento de 70,8% dos negócios sobre maio.

A entidade ressalta o desempenho dos modelos com até três anos de uso, considerados seminovos. O aumento das vendas foi de 87,3% na mesma comparação com maio. Novamente a média diária corrige qualquer desvio das estatísticas por causa dos Detran fechados, que também causaram impactos sobre a regularização dos documentos e os números do Renavam.

No caso dos usados o ritmo diário de vendas cresceu 55,2%, passando de 16,8 mil unidades em maio para 26,2 mil em junho.

Agora é esperar o fim do mês para conferir se realmente o consumidor voltou a comprar carro em ritmo mais próximo ao registrado no ano passado. E torcer para que a curva da pandemia no Brasil vá em direção contrária.

Positivo. O efeito de dois lançamentos de peso, como o inédito VW Nivus e a novíssima Fiat Strada, nos concessionários físicos e nos ambientes virtuais de vendas também poderia explicar o incremento das vendas. Talvez ainda seja muito cedo para a pré-venda esgotada do VW e as 6 mil unidades negociadas da picapinha da Fiat em dez dias fazerem a diferença no número total do mercado. A conferir.

Negativo. Na comparação das vendas diárias de novos contra julho de 2019 o ritmo desta quinzena ainda é 33% menor do que no ano passado.

65 fábricas. A indústria automotiva brasileira virou uma página triste da sua história na segunda-feira, 13, com o retorno de todas as unidades produtivas do País. As fábricas da Honda em Itirapina e Sumaré, SP, foram as últimas a retomar suas atividades. As operações de produção de veículos da Honda estavam paralisadas desde 25 de março.

Tracker hermano. A GM pode iniciar a produção do novo Chevrolet Tracker na fábrica de Santa Fé, Argentina. O Autoblog, parceiro editorial de AutoData na Argentina, apurou essa possibilidade com o diretor de marketing de produto, Rodrigo Fioco, durante o lançamento, lá, do Tracker, importado do Brasil. A GM e seus fornecedores estão investindo US$ 500 milhões em Santa Fé no Projeto AVA, sigla para alto valor agregado.

Prêmio AutoData. 49 empresas da cadeia automotiva nacional estão concorrendo ao Prêmio AutoData 2020. Este ano serão 23 categorias em que quatro empresas, líderanças do setor, produtos, serviços, tecnologias e estratégias participam com cases escolhidos pelos jornalistas de AutoData durante a cobertura desses acontecimentos nos últimos dozes meses.

* Colaborou André Barros

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.