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Coronavírus afeta mercado global de automóveis e vendas devem cair 2,5%

CHOO YOUN-KONG/AFP
Imagem: CHOO YOUN-KONG/AFP
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Leandro Alves

Neste espaço a equipe de AutoData, sob a coordenação do diretor de redação Leandro Alves, trará os bastidores da indústria automotiva, que são de extrema importância para os negócios e o futuro do setor no Brasil e no mundo. Seu próximo carro pode passar primeiro por aqui. Antes mesmo dele existir! Conheça nosso trabalho em www.autodata.com.br

Colunista do UOL*

28/02/2020 10h42

A preocupação começou com o abastecimento de peças: com as fábricas chinesas em Wuhan, foco da epidemia e importante polo automotivo asiático, fechadas, diretores de produção ao redor do mundo começaram a avaliar o impacto em suas linhas. Honda, Hyundai, Nissan e Toyota foram as primeiras a registrar interrupção na produção de veículos decorrente da falta de componentes importados da China.

Agora a indústria automotiva percebe que o buraco é mais embaixo. Há mais de um mês consumidores chineses estão em casa, receosos com a proliferação do vírus, reduzindo drasticamente o consumo. Na semana passada a Europa começou a sentir os primeiros sinais, com as ruas de Milão, na Itália, esvaziadas com receio da transmissão do coronavírus.

A epidemia derruba bolsas de valores e, naturalmente, o mercado de veículos. Relatório distribuído pela agência de classificação de riscos Moody's projeta queda de 2,5% nas vendas globais de automóveis em 2020, após um recuo de 4,6% no ano passado. A razão? O novo coronavírus.

"É superior à queda de 0,9% que projetávamos para o ano", disse Falk Fery, vice-presidente da Moody's. "As vendas se recuperarão apenas modestamente em 2021, com crescimento de 1,5%."

Se antes a agência esperava 1% de crescimento nas vendas da China, após a epidemia revisou suas projeções para queda de 2,9%. Nos Estados Unidos, diz a Moody's, estabilidade, enquanto na Europa as vendas recuarão depois de uma demanda maior do que a projetada no fim de 2019.

No Brasil o impacto ainda é incerto - e a Moody's não entrou em pormenores a respeito do mercado doméstico. Por aqui a trajetória nas vendas, após o tombo de janeiro, é ascendente na comparação com o ano passado e não há relatos de fábricas paradas por desabastecimento.

É algo que, se a epidemia prosseguir, será sentido apenas em abril ou maio, pois as montadoras costumam trabalhar com estoques de três meses ou mais para peças importadas, segundo o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.

Chupa CO2. A Mann+Hummel anunciou iniciativa que diversificará sua oferta para além dos filtros veiculares - equipamento que consolidou sua operação no Brasil. A partir deste mês passa a produzir na fábrica de Indaiatuba, SP, torres de filtragem de ar para aplicação em espaços públicos.

Como funciona. O equipamento retém CO2, NOX e outros materiais como detritos minúsculos de pneus, asfalto e lonas de freio dispersos no ar em áreas de trânsito intenso. Esse equipamento também será utilizado na operação de coleta de lixo da Corpus, empresa que opera em Indaiatuba: os caminhões elétricos BYD carregarão o filtro na parte superior do veículo, captando as partículas indesejadas enquanto circula pela cidade.

Grafite? Não, grafeno. A primeira fábrica brasileira para a produção do grafeno, uma das formas cristalinas do carbono, com grande potencial de aplicação na indústria automotiva, sobretudo em baterias para carros elétricos, será inaugurada em março, em Caxias do Sul, RS. A iniciativa é da UCS, Universidade de Caxias do Sul, que inicialmente terá capacidade de produção de 500 quilos com potencial expansão para 5 mil quilos.

Parceria. No segmento empresarial a UCS assinou termo de cooperação tecno-científica com a Marcopolo, também de Caxias do Sul, para o desenvolvimento de pesquisas, projetos e serviços técnicos com o grafeno. Gerdau, Randon e Sanmartin - fabricante de produtos para a indústria de bebidas - também mantém conversas para trabalhar com o material.

Parceria 1. A reportagem de AutoData apurou que durante rodada de negócios da UCS com as empresas a coordenadora do Núcleo de Inovação e Materiais Avançados da Gerdau, Leila Teichmann, antecipou projetos de aplicação de grafeno como a criação de filmes anticorrosivos para superfícies metálicas, vergalhões e o desenvolvimento de compósitos poliméricos para peças automotivas.

O que é? Material forte, leve, fino e com maior condutividade térmica que existe, além de grande condutor de eletricidade, o grafeno desponta como um dos insumos mais avançados para aplicação na indústria. No Rota 2030 há oportunidades e incentivos de P&D para utilização do grafeno: materiais nanoestruturados, compósitos poliméricos, ligas metálicas e indústria 4.0, com aplicação em robótica, inteligência artificial, integração de sistemas e internet das coisas.

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*Colaboraram: André Barros, Bruno de Oliveira, Caio Bednarski e Roberto Hunoff