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Fernando Calmon

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Caoa: quem assumirá o controle do grupo após a morte de seu fundador

Carlos Alberto de Oliveira Andrade, fundador do Grupo Caoa, morreu aos 77 anos - Divulgação
Carlos Alberto de Oliveira Andrade, fundador do Grupo Caoa, morreu aos 77 anos Imagem: Divulgação
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Fernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

18/08/2021 13h32

O falecimento do empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade (Caoa), de 77 anos, abriu processo sucessório no maior conglomerado de concessionárias de automóveis do País e com representação industrial por meio de uma fábrica em Anápolis (GO) e outra em Jacareí (SP).

Sua segunda esposa, Izabela de Oliveira Andrade, assumiu a presidência do Conselho de Administração do grupo. Carlos Alberto de Oliveira Andrade Filho (22 anos) e Carlos Philippe de Oliveira Andrade (19 anos) conduzirão os negócios com os atuais executivos Mauro Correia e Márcio Alfonso.

Médico-cirurgião de formação, Carlos Alberto sempre foi exímio negociador e saiu vencedor de duas batalhas judiciais. Uma envolvendo a Renault em 1996, quando recebeu uma vultosa indenização.

A mais recente envolveu a Hyundai. O contrato de importação dos veículos sul-coreanos terminou em 2018 e a marca queria estabelecer a renovação bienal. Caoa venceu a disputa em tribunal de Frankfurt, Alemanha e o contrato foi renovado, há menos de um mês, por 10 anos até 2028.

O "Dr. Caoa" sonhava em produzir um carro de projeto 100% brasileiro. Dizia, com razão, que o País reúne condições para tanto.

Sistemas de assistência podem deteriorar-se com o tempo

Utilização dos sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS, na sigla em inglês) tem atraído bastante atenção nos últimos anos e contribuído para evitar distrações e acidentes pequenos ou mesmo fatais. Afinal, os recursos são muito úteis e compõem uma lista extensa de cerca de 40 itens.

Só para recordar alguns: permanência em faixas de rolamento, controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, detecção de pedestres e ciclistas, sensor de ponto cego, detectores de sonolência, pressão e temperatura dos pneus, assistente em cruzamentos, câmeras de visão em 360 graus, reconhecimento de sinais de trânsito e por aí vai. Vários deles são obrigatórios ou se tornarão um dia.

No entanto, cabe a pergunta: os dispositivos são seguros a longo prazo? Pode ser que não. O Laboratório Britânico de Pesquisas em Transportes (TRL, em inglês) e a Organização de Inspeções Técnicas (TÜV, em alemão) de Rheinland, Alemanha acabam de divulgar um relatório apontando que, até 2029, podem ocorrer mais de 790.000 eventos de risco por ano em estradas dos países da União Europeia (UE) causados pelo desempenho reduzido dos sistemas.

Matthias Schubert, vice-presidente executivo da TÜV Rheinland, foi claro: "Deveriam funcionar de forma confiável por muitos anos. Porém, o estudo mostrou que os assistentes de permanência em faixa, por exemplo, podem atuar de maneira limitada ao longo do tempo, trazendo consequências ao trânsito."

Simularam danos no para-brisa por pedras ou pedriscos na área da câmera e sua calibração incorreta após substituição do para-brisa, além de interrupção na comunicação de dados do veículo ao longo do tempo. Para isso, os componentes foram envelhecidos artificialmente.

No caso do assistente de permanência em faixas, quando isso ocorria de modo intencional o sistema se desativava de imediato. O movimento de retorno abrupto do volante à posição central pode pegar o motorista de surpresa, se ele não estiver concentrado no momento. Em uma situação como essa, sem qualquer aviso prévio.

Como diz o provérbio popular: confie, desconfiando. Daí a dificuldade para os sistemas autônomos de condução, em níveis mais elevados que os atuais, atingirem os graus de firmeza adequados para homologação.

Alta Roda

- Importação de carros usados ainda é realidade em três países da América Latina: México, Paraguai e Bolívia. Gera distorções e grau de insegurança viária que não deveriam mais existir. O problema vem sendo discutido esta semana em congresso da Autodata, sobre o mercado da região. No Brasil, apenas modelos de coleção com mais de 30 anos de fabricação podem entrar no País, mas se trata de números residuais.

- Taos, SUV médio da VW, vendeu 1.026 unidades em julho, seu primeiro mês completo de vendas. Espaço interno, principalmente para os ocupantes do banco traseiro, além do tamanho do porta-malas, destacam-se. Suspensões independentes nas quatro rodas são firmes, sem comprometer o conforto. O diâmetro de giro de 11,5 m não favorece muito para estacionar em vagas apertadas ou manobras de retorno. O motor turbo flex (150 cv) é o mesmo do T-Cross e, assim, se ressente mais nas acelerações de recuperação com carga total.

- Nesses tempos de desemprego alto, o Sindipeças desenvolveu plataforma na internet para inclusão de currículos de candidatos a vagas no setor de autopeças, que serão vistos exclusivamente por cerca de 500 empresas associadas. Essa atitude proativa é relativamente rara e indica oportunidades mesmo em um setor atingido de forma aguda pela pandemia da Covid-19.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL