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Carro voador: Força Aérea dos EUA entra na busca por 'veículo dos Jetsons'

Fernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

23/03/2020 14h52

Pode até parecer notícia duvidosa, mas o site americano Breaking Defense, especializado em noticiário militar, publicou que um automóvel voador está nos planos da USAF (Força Aérea dos Estados Unidos, em tradução livre). Esse tipo de veículo frequenta o imaginário das pessoas há décadas.

"Agora é o momento perfeito de transformar o 'carro do Jetson' em algo real", afirmou em tom brincalhão Will Roper, chefe de Serviços de Compras da USAF.

No entanto, parece mesmo coisa mais séria. No fim do mês passado, o seu departamento abriu uma requisição de propostas para um veículo voador capaz de transportar soldados e suprimentos diretamente para o campo de batalha. O programa tem até nome: Agility Prime (algo como Entregador Rápido, em tradução livre).

"O caminho é longo e terá sua dose de diversão. A Força Aérea não vai construir nenhum novo veículo de transporte. Entretanto, oferecerá aos interessados a oportunidade de testar e demonstrar seus protótipos em padrões militares, sem precisar passar antes pelas rígidas e lentas aprovações da Agência Federal de Aviação", afirma Roper.

Há um mercado potencial para veículos de decolagem e aterrissagem verticais, inclusive com propulsão elétrica (e-VTOL, sigla em inglês). O carro-voador tem atraído desde fabricantes tradicionais, como Porsche e Hyundai, até o Uber em parceria com a nossa Embraer e a NASA (agência espacial americana) desde 2018. A empresa brasileira admite que há muitos concorrentes nesse jogo, porém sai em vantagem por deter capacidade de construir e certificar aeronaves.

Divulgação
Imagem: Divulgação

Para a USAF esse tipo de veículo tem outras aplicações importantes desde as forças de Operações Especiais até deslocamentos ágeis, logística, salvamento de pilotos e mobilidade estratégica. Teria vantagens até sobre helicópteros tradicionais.

Entre as tentativas e apresentações de protótipos de carros voadores uma das que chegaram mais longe é a Terrafugia, fundada em 2006, na cidade de Woburn, Massachusetts. Ela produziu duas unidades, precificou cada uma em US$ 280.000 (R$ 1.400.000 em conversão direta), mas deu em nada.

Hoje a Terrafugia pertence à chinesa Geely que no seu portfólio, além de seus próprios carros, inclui a sueca Volvo, a malaia Proton e as inglesas Lotus e LEVC (fábrica dos táxis londrinos típicos, agora em versão elétrica).

Outra das empresas que tentaram construir "o carro do Jetson" foi a AeroMobil. A missão fracassou quando o construtor (e piloto) despencou no ar, em parafuso, mas foi salvo pelo paraquedas de emergência.