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Fernando Calmon


Geely estuda volta ao Brasil e negocia com empresa que faz carros no país

Sedã EC7 foi vendido no Brasil entre 2014 e 2016 - Divulgação
Sedã EC7 foi vendido no Brasil entre 2014 e 2016
Imagem: Divulgação
Fernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colaboração para o UOL, de São Paulo (SP)

30/08/2019 17h33

Resumo da notícia

  • Chineses conversam com grupo HPE, que faz carros de Mitsubishi e Suzuki
  • Marca é dona de Volvo e Lotus, além de ter 10% das ações da Mercedes-Benz
  • Empresa esteve no país por dois anos e deixou mercado após baixas vendas

A Geely está cogitando retornar ao mercado brasileiro. Desta vez, a empresa seria representada pelo grupo HPE, responsável pelas marcas Mitsubishi e Suzuki no país.

A escolha não seria por acaso, já que a Geely poderia aproveitar as instalações da HPE em Catalão (GO) para eventual produção local de veículos.

Os planos agora são mais ambiciosos e estão sob sigilo. Por ora, sabe-se apenas que um acordo pode ser anunciado em breve.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da HPE Automotores do Brasil disse não ter "nenhuma declaração a fazer com relação a outras marcas de veículos", ressaltando que "representa hoje a Mitsubishi Motors e a Suzuki Motor - Autos no Brasil, marcas nas quais tem investido intensamente e realizado lançamentos".

Passado sem sucesso

A primeira passagem da Geely pelo Brasil não deixou saudades. A marca chinesa esteve no mercado nacional pelas mãos do Grupo Gandini (mesmo importador da Kia) entre os anos de 2014 e 2016.

Durante o período a Geely vendeu os modelos EC7 e GC2, mas pouco mais de 1.200 carros foram emplacados nos dois anos de atuação no país. O problema é que logo os chineses pressionaram para aumentar os preços (o GC2 partia de R$ 29.990 e o EC7 começava em R$ 49.990), o que tornaria-os ainda menos competitivos no mercado brasileiro.

A estreia aconteceu um ano após o início do Inovar-Auto, regime cujas regras foram "determinantes" para o fim das atividades da marca no Brasil, conforme disse José Luis Gandini, presidente do Grupo Gandini. A rede de concessionárias, por sua vez, chegou a 26 pontos de venda, mas foi rapidamente desfeita.

À época as partes envolvidas fecharam uma espécie de acordo com prioridade para retomada das atividades quando a situação financeira (e até as regras de importação) se mostrasse mais favorável à fabricante.

Entretanto, o antigo importador decidiu concentrar esforços na Kia Motors (marca a qual representa desde meados dos anos 90), e assim a Geely não voltou para o Brasil.

Gigante chinesa

A Geely é uma das maiores fabricantes de automóveis da China. Fundada em 1986, a empresa foi a primeira montadora com capital privado chinês e é dona de marcas de prestígio como Volvo e Lotus, além de Proton (maior fabricante de carros da Malásia), London EV Company (responsável pelos famosos táxis pretos de Londres) e Lynk & Co., cujos carros elétricos compartilham tecnologias com a Volvo.

Além disso, a Geely possui 8,2% das ações da AB Volvo (que possui as marcas Volvo Caminhões, Mack e Renault Trucks) e é a maior acionista da Daimler AG desde o começo de 2018. A empresa do bilionário chinês Li Shufu hoje possui 9,69% das ações da fabricante alemã, que controla a Mercedes-Benz.