Topo

Coluna

Fernando Calmon


VW começa a fazer picape Tarok na Argentina só em 2022; Tarek chega em 2021

Fernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

2019-06-19T07:00:00

19/06/2019 07h00

UOL Carros revelou, ainda durante o Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro passado, que a inédita picape média-compacta Volkswagen Tarok seria fabricada sobre a plataforma MQB A do Golf e Jetta -- e não sobre a base MQB A0 de Polo, Virtus e T-Cross. Agora, cravamos: o modelo não será fabricado no Brasil, mas sim na Argentina, na unidade de General Pacheco. Mas isso terá um efeito colateral: atraso no cronograma.

Segundo nossas fontes, a picape rival da Fiat Toro terá seu SOP ("start of production", literalmente o início da produção em ritmo comercial no chão de fábrica) em janeiro de 2022, configurando um atraso de cerca de um ano para o cronograma oficial.

Tudo isso é explicado por conta da crise na Argentina. Outras duas picapes, Renault Alaskan e Mercedes-Benz Classe X, também foram afetados pela situação difícil do país vizinho (além de outros problemas, claro).

Pelo planejamento inicial, a versão final da Tarok deveria ser mostrada no próximo Salão do Automóvel, em novembro de 2020, com chegada logo no início da temporada seguinte. A Volkswagen, de toda forma, deve manter a aparição na feira automotiva.

SUV chega antes

Para o começo de 2021 teremos o SOP do SUV médio-compacto Tarek, que também será irmão de plataforma da picape. Assim, a chegada às lojas brasileiras deve ficar para o final do primeiro primeiro trimestre daquele ano. Também configura atraso, mas menor.

Considerado um anti-Compass, o Tarek também pode ser visto como o real substituto do antigo Tiguan. Isso porque o novo Tiguan Allspace tem entre-eixos alongados, de 2,78 m, que faz muito sentido para abrigar a configuração de sete passageiros, mas que ficava "sobrando" para a configuração de cinco pessoas.

Com 2,68 m de entre-eixos, é possível que o Tarek até substitua a configuração para cinco passageiros do Tiguan Allspace em nosso mercado.

Divulgação
Revelado na China em 2018, Tarek será "herdeiro espiritual" do antigo Tiguan, chegando em 2021 Imagem: Divulgação

Por que Argentina?

Se vai provocar um atraso gigante logo de imediato, fora a sempre imprevisível situação de crise, porque a Argentina foi escolhida para fabricar dois modelos inéditos e importantes da Volkswagen? Por que não manter o plano de fabricação no Brasil para a picape?

De fato, o SUV Tarek estava planejado para Pacheco desde o começo. No caso da picape Tarok, porém, a mudança de linha veio como forma de "compensação", mas que pode ter benefícios.

No Brasil, as unidades Anchieta (São Bernardo do Campo/SP) e São José dos Pinhais (PR) já estão aparelhadas com a base MQB, a mais atual do Grupo Volkswagen em todo o mundo. Faltava porém instalar essa plataforma na unidade da Volkswagen da Argentina.

Pesou também o fato da Volkswagen do país vizinho estar prestes a "perder" a Amarok: na próxima geração, a picape média será feita sobre a base da Ford Ranger, em instalações vizinhas. Instalações que já não contam, vale lembrar, com a produção da perua SpaceFox, aposentada. A inédita Tarok será o reforço para o parque fabril da Volkswagen no país.

Benefício para o projeto fica pelo know-how da Argentina em picapes e utilitários: na atual geração, além de Amarok e Ranger, temos Toyota Hilux e Nissan Frontier sendo desenvolvidas e fabricadas no país vizinho.

Agora é saber se o imprevisível clima econômico do país vizinho não vai colocar novas componentes -- ou meses extras -- nesse cronograma. E torcer para que uma eventual melhora no quadro político e econômico permita acelerar os planos atuais da Volkswagen (com Eugênio Augusto Brito, do UOL).

Volkswagen Tarok: veja como é a picape conceito

UOL Carros