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Por que a Toro Ultra é o SUV que a Fiat ainda não tem, mesmo com defeitos

José Antonio Leme

do UOL, em São Paulo (SP)

15/03/2021 04h00

Cinco anos após seu lançamento no mercado, a picape Fiat Toro continua sendo um sucesso de venda, mesmo com seus defeitos inegáveis. Além disso, a picape tem atendido bem à marca ao ocupar, ao menos em termos de valores, o espaço que de seria um SUV médio que a montadora italiana não tem - e que só virá em 2022, se nada sair da programação.

Com uma tabela que varia entre R$ 110 mil e os R$ 186.933 cobrados pela versão de topo Ultra, aqui avaliada, a Toro ocupa o espaço entre os SUVs compactos e os médios completos. Ela consegue essa façanha devido às motorizações: do fraco 1.8 flexível às versões com o bom 2.0 turbodiesel.

A própria Fiat entende que esse é o papel da Toro e, mesmo após a chegada dos SUVs da marca, ela continuará a ser uma opção para quem não quer um SUV, mas algo diferenciado - coisa que a picape produzida em Goiana (PE) definitivamente é.

Além de avaliar a versão mais cara disponível para a picape, que está prestes a ganhar renovação em termos de visual e equipamentos, além de novo motor flexível, o UOL Carros mostra o que fez dela até aqui um sucesso de mercado e crítica.

Simon Plestenjak/UOL

Fiat Toro Ultra

Preço

R$ 186.933
Carros
3,6 /5
USUÁRIOS
4,0 /5
ENTENDA AS NOTAS DA REDAÇÃO

Pontos Positivos

  • Conforto
  • Conjunto mecânico

Pontos Negativos

  • Falta de porta-objetos
  • Espaço interno

Veredito

A Fiat Toro Ultra precisa de pouco para melhorar, mas terá que correr se quiser continuar sendo uma opção aos SUVs que estão chegando. Especialmente na parte de segurança ativa e passiva, adotando itens como frenagem autônoma de emergência e controle de velocidade adaptativo (ACC). Não é nessa geração que o espaço interno melhorará, mas é possível rever a questão dos porta-objetos e deixar o interior mais prático nesse quesito antes de uma segunda geração.

Fiat Toro Ultra - Simon Plestenjak/UOL - Simon Plestenjak/UOL
Imagem: Simon Plestenjak/UOL

Design e espaço interno

A Fiat Toro usa a mesma plataforma encontrada no Jeep Renegade e no Jeep Compass, mas tem o maior entre-eixos dos três: 2,99 m. São 33 cm a mais que o SUV médio e 42 cm a mais que o utilitário compacto.

Ainda assim, a picape não é um primor em espaço interno. Os ocupantes nos bancos dianteiros viajam bem e confortáveis, mas quem vai sentado no banco de trás sofre com a falta de espaço para as pernas em relação aos bancos da frente.

Além disso, o passageiro do meio sofre com um extra: o túnel central não é tão alto, mas há um ressalto e rouba espaço no conforto das pernas do quinto ocupante.

Outro item que chama a atenção para um carro que quer cumprir a função de SUV, ou seja, um produto majoritariamente familiar, é a falta de porta-objetos. Há um porta-copos no centro do console, bem pequeno, e um modesto baú entre os bancos dianteiros.

Se o espaço interno não é um primor, vale dizer que o visual da Toro, que cinco anos atrás parecia estranho, se tornou um marco para o estúdio de design nacional da marca. As linhas gerais da picape conquistam e se tornaram referência: a nova geração da Fiat Strada é uma "mini-Toro" em todos os aspectos.

Os destaques da Toro Ultra são a tampa rígida da caçamba, no lugar da capota marítima, e o santantônio integrado na peça. Além da funcionalidade em transformar a caçamba efetivamente em um porta-malas, o que reforça o status de "picape SUV" da Toro, ela pode carregar até 100 kg distribuídos na parte superior da tampa. O proprietário pode retirar o conjunto para carregar itens maiores também.

Há outros detalhes que ressaltam o requinte e a esportividade no visual da picape. O acabamento todo preto inclui os logos da Fiat na dianteira e traseira, além da ausência de cromados nas molduras dos faróis de neblina como tem a versão Ranch, por exemplo.

Na cor preta também vem o rack de teto e a capa dos espelhos, que ressalta esse tom de esportividade e modernidade da versão. O logo com o nome da picape e da versão tem um acabamento anodizado que está presente na traseira, nas portas e também no console central por dentro.

Por dentro, a picape não tem grandes novidades e, além da plaqueta com o nome da versão no console, traz os bancos de couro com o nome da variante bordado nos encostos dianteiros. O acabamento é o que já conhecemos de outras versões, agrada e é de boa qualidade.

Fiat Toro Ultra  - Simon Plestenjak/UOL - Simon Plestenjak/UOL
Imagem: Simon Plestenjak/UOL

Consumo e desempenho

A Toro Ultra está disponível exclusivamente com o motor 2.0 turbodiesel de 170 cv e 37,5 mkgf. Esse conjunto vem aliado ao câmbio automático de nove marchas. Essa combinação é a melhor em termos de desempenho, entrega e conforto ao dirigir - superior ao 1.8 flexível das versões de entrada e também ao natimorto 2.4 flexível, que durou pouco mais de um ano em linha.

O torque está sempre presente, mas como todo carro a diesel, tem um atraso na resposta quando se quer arrancar com rapidez, que motores a gasolina ou flex não tem. A exceção disso é um conjunto de funcionamento suave, que não passa vibrações para dentro da cabine e, mesmo quando se exige dele, o isolamento acústico garante relativo silêncio dentro da cabine.

O compromisso entre entrega e consumo é bom. Segundo a Fiat, a picape faz 9,9 km/l rodando na cidade e 12,3 km/l na estrada, mais do que as médias oferecidas por suas versões a gasolina - com o benefício do diesel ser mais barato. E, se é mais caro que o etanol, entrega maior autonomia.

O câmbio tem trocas suaves e uma calibragem boa para se associar ao motor turbodiesel. Há opção de trocas pela alavanca e também por aletas atrás do volante, as populares borboletas. As mudanças são suaves e sem trancos.

Graças a ele é que o motor diesel é permitido. Nele há o sistema de tração 4x4 eletrônico. Um seletor no console central permite escolher entre "automático", 4x4 e "4x4 low". Vale dizer que não adianta esperar da Toro o mesmo comportamento de um Jeep Wrangler ao tentar se embrenhar em trilhas e alagados porque você, com certeza, vai se decepcionar.

A suspensão, como nos "irmãos" Renegade e Compass, privilegiam o conforto - o que é bom para as estradas e ruas brasileiras, além do uso no fora de estrada. A Fiat ainda conseguiu manter um compromisso com a estabilidade quando se está em rodovias e a carroceria tende a balançar pouco nas curvas, o que é bom aos ocupantes.

A direção elétrica não é muito precisa e poderia ter uma calibragem mais firme, especialmente em velocidades de cruzeiro, a cerca de 120 km/h, limite máximo permitido nas rodovias brasileiras. A direção é muito leve e não passa bem o que acontece no contato entre pneus e asfalto ao condutor.

Aqui, outro detalhe é como a picape não tem um bom ângulo de esterço e, dependendo do espaço, exige algumas manobras para conseguir sair ou entrar em uma vaga ou espaço apertado. O diâmetro de mínimo de curva divulgado pela Fiat é de 12,9 metros.

Fiat Toro Ultra - Simon Plestenjak/UOL - Simon Plestenjak/UOL
Imagem: Simon Plestenjak/UOL

Equipamentos

A picape é bem recheada na versão Ultra. Ela tem chave presencial com partida por botão, faróis com acendimento automático, sensores de chuva e de estacionamento traseiro com câmera de ré na tampa, o que dá uma boa visualização nas manobras.

Traz também retrovisor interno eletrocrômico, enquanto os externos têm ajustes elétricos e "tilt down", que rebaixa automaticamente o espelho ao engatar à ré.

Outros itens são a central multimídia com tela de 7 polegadas e integração a Android Auto e Apple CarPlay, ambos sem fio. O painel de instrumentos é analógico, mas com tela de TFT de 7" no centro com diversas informações e que pode ser configurada.

Os faróis de neblina tem a função cornering, que acendem temporariamente para o lado que o carro está fazendo curva. As luzes de condução diurna são de LEDs, bem como as lanternas e as luzes internas.

A versão Ultra tem ainda de série engate removível já instalado e a Cargo Bag Mopar, que é uma bolsa presa dentro da caçamba e que serve para evitar que as malas fiquem "sambando" dentro da cabine.

Fiat Toro Ultra - Simon Plestenjak/UOL - Simon Plestenjak/UOL
Imagem: Simon Plestenjak/UOL

Manutenção e Segurança

Em termos de segurança, a Toro Ultra tem o "básico", digamos assim. O que foge do padrão são os sete airbags que entraram na picape apenas na linha 2021. No mais são os controles de tração e estabilidade, o assistente de partida em rampa e o de descida. Para carregar as crianças, o banco traseiro tem fixação com Isofix e pontos de ancoragem.

Os valores das seis primeiras revisões são bem justos e variam entre R$ 780 e 2.096, com preços fixos divulgados pela Fiat na área de serviços do site. Assim, o comprador já sabe quanto vai gastar. Para um carro de 180 mil, o custo continua bem acessível.

Fiat Toro Ultra - Simon Plestenjak/UOL - Simon Plestenjak/UOL
Imagem: Simon Plestenjak/UOL

Mercado

A Toro reina sozinha no segmento e só disputa mercado no ranking contra ela mesma e a picape compacta Fiat Strada. Ainda assim, ela tem, supostamente, uma rival no mercado, a Renault Oroch. O modelo peca por ser um pouco menor que a Toro e não ter opções a diesel, apenas motores flexíveis e com um defasado câmbio automático de quatro marchas.

Espera-se que a mudança que dará a ela um visual semelhante ao do novo Renault Duster melhore a vida da picape. Se a adoção do motor 1.3 turbo flexível for confirmada, ela brigará de igual nas versões flexíveis, mas continuará fora da briga do diesel.

Assim, com mais porte de picape, visual que agrada e personalidade própria, a Toro se tornou um caminho natural para quem não quer mais uma picape compacta, mas não está disposto a partir para as médias, como Chevrolet S10, Ford Ranger, Toyota Hilux e cia.

A picape intermediária da Fiat oferece o porte para quem quer uma posição de guiar mais alta, mas com maior praticidade para estacionar e manobrar do que as médias, e ainda tem o benefício de oferecer o motor diesel. E a versão Ultra, com a tampa rígida, apesar dos problemas internos de espaço, continuará oferecendo dentro da gama Fiat uma opção aos SUVs de outras marcas - e com mais estilo.

Mecânica
  • Motorização

  • 2.0, 4 cilindros, 16V, turbo

  • Combustível

  • diesel

  • Potência (cv)

  • 170 a 3.750 rpm

  • Torque (kgf.m)

  • 35,7 a 1.750 rpm

  • Aceleração de 0 a 100 (segundos) (km/h)

  • 10 segundos

  • Velocidade máxima (km/h)

  • 174 km/h

  • Consumo cidade (km/l)

  • 9,9 km/l

  • Consumo estrada (km/l)

  • 12,3 km/h

  • Câmbio

  • Automático, 9 marchas

  • Tração

  • 4x4

  • Direção

  • Assistência elétrica

  • Suspensão Dianteira

  • Independente

  • Suspensão Traseira

  • Independente multilink

  • Freios Dianteiros

  • Discos ventilados (305 mm)

  • Freios Traseiros

  • Tambor (295 mm)

Pneus e Rodas
  • Pneus

  • 225/60 R18

  • Rodas

  • 18 polegadas

Dimensões
  • Altura (mm)

  • 1.685

  • Comprimento (mm)

  • 4.944

  • Entre-eixos (mm)

  • 2.990

  • Largura (mm)

  • 1.844

  • Ocupantes

  • 5

  • Peso (kg)

  • 1.950

  • Porta-malas (L)

  • 1000 kg (caçamba)

  • Tanque (L)

  • 60

Preço das Revisões, Seguro e Garantia
  • 10.000 km

  • R$ 780

  • 20.000 km

  • R$ 1.212

  • 30.000 km

  • R$ 1.396

  • 40.000 km

  • R$ 2.096

  • 50.000 km

  • R$ 1.068

  • 60.000 km

  • R$ 1.412

  • Garantia

  • 3 anos

Equipamentos
  • Airbags Motorista

  • Airbags Passageiro

  • Airbags Laterais

  • Airbags do tipo Cortina

  • Airbags para joelho do motorista

  • Controle de Estabilidade

  • Controle de Tração

  • Freios ABS

  • Distribuição Eletrônica de Frenagem

  • Ar-Condicionado

  • Travas Elétricas

  • Ar Quente

  • Piloto Automático

  • Volante com Regulagem de Altura

  • Vidros Elétricos Dianteiros

  • Vidros Elétricos Traseiros

  • Central Multimídia

  • Rádio FM/AM

  • Entrada USB

  • Banco de Couro

  • Banco do motorista com ajuste de altura

  • Bancos com ajustes elétricos

  • Desembaçador Traseiro

  • Computador de Bordo

  • Acendimento automático dos faróis

  • Faróis de neblina

  • Faróis com regulagem de altura

  • Bloqueio do diferencial