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JAC E-J7: "tempos de Faustão" ficam para trás em ataque como marca premium

Rafaela Borges

Colaboração para o UOL

21/01/2022 04h00

De Faustão à eletrificação, a JAC Motors lança um novo capítulo de sua nova fase no mercado brasileiro com o sedã elétrico E-J7. A marca, que estreou no Brasil fazendo muito barulho, elegendo anos atrás o agora apresentador da Band como garoto-propaganda e investindo em carros com preços mais acessíveis que o da concorrência, partiu no ano passado para uma gama 100% a eletricidade.

Após lançar SUVs e hatches elétricos, a JAC agora traz da China um modelo que quer se aproximar do mercado premium. Durante o lançamento do E-J7, representantes da marca fizeram questão de compará-lo com BMW 320i, Mercedes-Benz C200 e Audi A4. Tanto que até colocaram esses veículos na pista com o chinês elétrico, para provas de aceleração.

Claro que o JAC se deu melhor na arrancada, como era de se esperar. Afinal, tem bons números e, como todo elétrico, torque instantâneo, entregue de forma plena a partir do momento em que se começa a pisar no pedal do acelerador. Modelos a combustão precisam de atingir uma determinada faixa de rotação para entregarem força normal, e costumam levar desvantagem em provas de 0 a 100 km/h - embora se saiam melhor em outros testes de desempenho.

Será então que o novo carro elétrico da JAC chega para bater de frente com as marcas premium no Brasil? É o que o UOL Carros mostrará na avaliação abaixo.

JAC E-J7

Preço

R$ 264.900
Carros
3,7 /5
USUÁRIOS
-
ENTENDA AS NOTAS DA REDAÇÃO

Veredito

Ao colocar modelos como 320i, C200 e A4 na pista junto com o E-J7, a JAC queria mostrar que tem um carro que custa menos e anda mais. De fato, é cerca de R$ 30 mil mais em conta que o BMW, e o fato de ter motor elétrico aumenta esse mérito. Carros elétricos são mais caros que os a combustão. Mas isso é só teoria. Na prática, não dá para comparar JAC com marca alemã premium, seja por tecnologia (e o chinês está bem atrás) ou reputação. Dificilmente o cliente do 320i vai olhar para o E-J7. A comparação certa é com elétricos de marcas generalistas, que são menores e, em alguns casos, andam menos e custam mais. Entre eles, há o Nissan Leaf e o Renault Zoe.

Design

Além da coluna C rebaixada, o E-J7 chama a atenção pela falsa grade frontal em formato colmeia e, ainda na dianteira, os faróis de LEDs com dois refletores. Por baixo do capô, nada de pequeno compartimento de bagagem, como em outros elétricos. Há diversos componentes, entre eles uma bateria de 12V para alimentar sistemas como multimídia e painel (outra solução incomum em modelos a eletricidade).

Interessante é que, ao levantar a pesada tampa do capô, dá para ver, lá na parte de baixo, o motor elétrico dianteiro (o E-J7 tem apenas um), que em outros elétricos fica escondido. Lateralmente, as rodas são bicolores e têm 17 polegadas.

Para quem ainda não sabe, a Volkswagen é acionista da JAC e vem trabalhando no desenvolvimento de alguns modelos da chinesa. Como nos novos Audi, Porsche e nos próprios VW, as lanternas são interligadas. Será essa solução apenas uma coincidência ou já uma influência?

O carro tem 4,70 metros de comprimento e 1,80 m de largura. Interessante é o peso, de apenas 1.650 kg, baixo para um elétrico. Entre outros fatores, se deve à presença de um motor apenas. Além disso, a bateria, por ter apenas 50 kWh, é mais leve que o comum de modelos com essa autonomia.

E qual é a autonomia? Segundo a JAC, de 402 km, em trecho urbano. É muito para uma bateria com essa capacidade. Modelos que ultrapassam os 400 km costumam ter componentes entre 70 e 90 kWh. O baixo peso ajuda a explicar a boa autonomia, mas o teste, no lançamento, foi feito em pista. Para colocar o dado à prova, é preciso avaliá-lo durante alguns dias, no cotidiano.

Espaço interno

JAC E-J7 - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

De acordo com a JAC, o porta-malas tem 590 litros. Ele é um pouco mais alto que o de sedãs convencionais, além de bem profundo. Já o entre-eixos é de 2,76 metros. O espaço atrás é um destaque, pois o assoalho é plano e o console não se projeta para a frente. Por isso, dá para acomodar bem três pessoas - o passageiro do meio viaja com conforto.

O carro tem saídas de ar e duas entradas USB do tipo A para os ocupantes de trás. Outro destaque é o teto solar panorâmico, que deixa a cabine mais iluminada. O acabamento de portas traz couro, Black Piano e alumínio.

A parte de cima das portas tem revestimento de plástico bem trabalhado e levemente emborrachado. Couro com costura aparente e plástico na cor marrom orientam o acabamento dos painéis internos. À frente do passageiro dianteiro, e também nas portas, há uma iluminação que muda de cor - de amarelo para roxo, por exemplo.

O painel é virtual e personalizável e a central multimídia sensível ao toque tem tela vertical, além de Android Auto e Apple CarPlay. Os comandos da maior parte das funções do carro estão concentrados nesse sistema, o que deixa o console central bem limpo.

Por ali, há um botão giratório para acionamento do câmbio de uma marcha e a tecla do freio de estacionamento, que é elétrico. A partida é por botão. Os bancos revestidos de couro são largos, mas o suporte lateral é pequeno, o que faz o corpo balançar um pouco em curvas.

O banco do motorista tem ajuste elétrico para distância e altura. O encosto é ajustado manualmente por meio de uma alavanca do lado esquerdo. Ao menos, ela é bem localizada e fácil de usar. Um ponto bem negativo é a ausência de ajuste de profundidade para o volante.

Desempenho

JAC E-J7 - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Ao fazer o lançamento de seu carro em uma pista, ficou claro que a JAC tinha a intenção de mostrar seu poder de aceleração. De fato, ele foi mais rápido que os sedãs de luxo a combustão na prova de arrancada. Com 193 cv e 34,7 mkgf instantâneos, o E-J7 vai de 0 a 100 km/h em 5,9 segundos, conforme a fabricante.

Quem conhece um carro elétrico ou consome conteúdo sobre esse tipo de veículo já sabe que uma das principais características desses automóveis é a sensação de aceleração forte. Em modelos com muita potência e torque, como Volvo XC40, Audi e-tron e Porsche Taycan, o ganho de velocidade é tão colossal que parece que eles vão decolar.

Para quem espera essa sensação, o JAC E-J7 não desaponta. Ele acelera forte, com aquele ímpeto que gruda o corpo do motorista no banco. Só que o teste em pista, especialmente um circuito travado - o Haras Tuiuti, próximo a Bragança Paulista, no interior de São Paulo - deixou bem evidente também uma característica nada legal do carro.

A estabilidade deixa muito a desejar. A direção é muito mole e não tem progressividade a medida que se ganha velocidade (mesmo no modo mais esportivo, dos três que o sistema tem). Falta também firmeza à suspensão. O resultado é que é difícil segurar o carro nas acelerações mais fortes e em curvas. A dianteira escapa o tempo todo e os pneus estão sempre cantando.

No dia a dia, as condições são diferentes das encontradas em uma pista, mas essas características do carro podem assustar em uma subida de serra um pouco mais impetuosa, ou em uma situação de emergência. Também leva tempo para se acostumar com o freio, que para o EJ-7 com eficiência, mas leva um pouco mais de tempo que outros modelos testados nesse mesmo circuito.

Mercado

JAC E-J7 - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Fato é que o E-J7 tem mesmo dimensões semelhantes às dos sedãs citados acima, mas não é concorrente. Em primeiro lugar, a JAC não é marca de luxo, e está décadas atrasada ante Audi, BMW e Mercedes-Benz quando o assunto é acabamento e tecnologia. Além disso, o JAC é elétrico, enquanto os demais são a combustão.

À venda por R$ 264.900, o E-J7 tem 193 cv e, para o padrão da JAC, tem um bom acabamento. Além disso, investe em um design com coluna C rebaixada, solução adotada por modelos como Mercedes-Benz CLA e Porsche Panamera. Essa característica deixa o aspecto mais esportivo e, no caso do JAC, permitiu melhor aproveitamento do porta-malas.

No entanto, o E-J7 deixa a desejar em muitos aspectos para um carro que pretende conversar com clientes de segmentos de luxo.