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GLB 200: como Mercedes mais barato inverteu a lógica dos SUVs de luxo

Rafaela Borges

Colaboração para o UOL

24/04/2021 04h00

A Mercedes-Benz inverteu a ordem mundial das coisas na estratégia de seus novos SUVs no Brasil. O GLA 200, que globalmente é seu modelo de entrada, chegou no fim do ano passado por cerca de R$ 325 mil e ficou distante, em preço, de seus rivais diretos (Audi Q3, BMW X1 e Volvo XC40, todos na casa dos R$ 200 mil). Já o GLB 200, maior e com sete lugares, passou a ocupar o posto de utilitário-esportivo mais barato na gama disponível no País.

O GLB 200, com motor 1.3 turbo de 163 cv desenvolvido em parceria com a Renault, também chegou no ano passado, inicialmente na versão Launch Edition 2021, por R$ 299.900. No início de 2021, foram lançadas outras duas opções. A de entrada, Advance, custa R$ 264.900. Já a Progressive tem preço sugerido de R$ 290.900.

Avaliamos a versão Launch Edition do Mercedes-Benz, que traz um amplo pacote de tecnologia e muita flexibilidade nos porta-malas e nos bancos.

Divulgação

Mercedes-Benz GLB 200 Launch Edition

Preço

R$ 299.900
Carros
4,3 /5
USUÁRIOS
4,7 /5
ENTENDA AS NOTAS DA REDAÇÃO

Pontos Positivos

  • Versatilidade
  • Tecnologia

Pontos Negativos

  • Desempenho em curvas
  • Retomada de velocidade

Veredito

O GLA foi lançado com preço assustador de tão alto. Mas, com a chegada das novas versões do GLB, o que se percebe é que a Mercedes pode ter acertado na estratégia. Em vez de investir tudo em um SUV que não tem grandes diferenciais ante os rivais, decidiu posicionar nessa faixa o modelo maior, com sete lugares e espaço interno que nem X1, nem XC40 nem Q3 oferecem. Com isso, se tornou uma solução para quem quer ter um SUV de marca de luxo, mas precisa de espaço, porta-malas e versatilidade. Tudo bem que a dirigibilidade não é um primor mas, com toda essa versatilidade, o GLB pode atrair até alguns clientes do Tiguan que estejam interessados no status de ter um Mercedes. Desde que eles não se importem com um desempenho que não é lá essas coisas.

Espaço interno e porta-malas

Mercedes-Benz GLB 200 - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

A Mercedes-Benz divulga diversas capacidades para o porta-malas do GLB. Com os cinco lugares em uso e os bancos da segunda fila completamente para trás - eles têm trilhos para ajuste de posição -, são 500 litros. Nesse caso, acomoda-se duas malas médias (23 kg) e duas pequenas (15 kg).

Nessa configuração, o espaço interno é bastante amplo para as pernas e cabeças de quem vai na segunda fila. O carro tem 2,82 metros de entre-eixos e 1,66 m de altura. O túnel central não é dos mais altos, além de ser comprido e largo. Um terceiro ocupante, no meio, fica razoavelmente acomodado - mais do que na maioria dos SUVs com preços semelhantes.

Ao ajustar os bancos da segunda fila totalmente para frente, o espaço para quem vai nessa parte fica bem escasso. Em compensação, o porta-malas pode levar até 700 litros. Dá para acomodar mais duas malas pequenas, ou trocar as duas médias por grandes (32 kg).

Os trilhos da segunda fila também são úteis para que esses passageiros possam dividir espaço com os da terceira. Ela tem dois bancos individuais, que são retráteis, para não prejudicar a capacidade do porta-malas quando não estão em uso.

Os passageiros da terceira fileira têm direito a entradas USB do tipo C individuais, além de porta-copos. Na segunda, há também duas portas para recarga de aparelhos eletrônicos, além de saídas para o sistema de ar-condicionado com duas zonas de temperatura (ambas comandadas na parte da frente do carro).

Com os sete lugares em uso, fica impossível fazer viagens que exijam levar muita bagagem. Apesar dos passageiros da terceira fila poderem usufruir de dose razoável de conforto, nesse caso a capacidade do porta-malas cai para 130 litros. Dá para acomodar apenas mochilas. Com uma mala pequena, a tampa do compartimento não fecha. Abertura e fechamento, aliás, são elétricos.

Design

O GLB até tem certa familiaridade com os outros modelos dessa plataforma da Mercedes-Benz, que são o Classe A (hatch e sedã), CLA e GLA. Mas há aspectos que garantem ao maior carro dessa arquitetura personalidade própria. Na comparação com o GLA, a carroceria é mais quadradona, inclusive na dianteira. Ali, se destacam os faróis de LEDs, mais largos que no SUV menor.

Visto de lado, o GLB passa mais a impressão de utilitário-esportivo robusto, com coluna C alta. O carro tem 4,63 metros de comprimento. São 21 cm a mais que o GLA e 8 cm a menos que o Tiguan. Atrás, as molduras que imitam saídas de ar são falsas. As verdadeiras ficam embaixo do carro.

O GLB 200 Launch Edition traz rodas de 19 polegadas escuras e com desenho esportivo, da divisão de preparação da marca, a AMG. E por falar nela, o GLA é um AMG Line, com itens que remetem à esportividade, inclusive na cabine, que usa fibra de carbono. No GLB, a orientação do interior é mais voltada ao luxo.

O ótimo acabamento traz superfícies emborrachadas, couro sintético, alumínio e um material raro de se ver nessa categoria: madeira. Ela está nas portas e nos painéis internos do veículo. Outro destaque é o teto solar panorâmico, que deixa a cabine bem iluminada.

Equipamentos e tecnologia

Mercedes-Benz GLB 200 - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Os radares e sensores na frente e atrás do GLB deixam claro que o modelo investe bastante em sistemas de assistência ao motorista. Entre eles, há o Park Assist, que ajuda nas manobras de estacionamento paralelas e perpendiculares.

O GLB 200 Launch Edition traz ainda controlador de velocidade adaptativo (freia e acelera o carro automaticamente) e leitor de faixas com função de correção. Juntos, esses dois recursos formam um sistema semiautônomo de condução.

Em vias com faixas bem demarcadas, o carro é capaz de frear, acelerar e fazer curvas sozinho - lembrando que o motorista deve sempre manter as mãos no volante. Quanto à conectividade, o GLB vem com o MBUX.

Esse sistema reúne painel virtual e central multimídia em duas telas integradas, cada uma com 10,25". O quadro de instrumentos é configurável: dá para alterar estilo do grafismo, modo de exibição e informações projetadas no centro.

A central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay tem tela sensível ao toque, mas também pode ser comandada por um touchpad no console central. Ela reúne todas as principais configurações do carro.

Há ainda o "Hi, Mercedes", sistema de comando de voz com inteligência artificial que vai aprendendo com o motorista. Entre as funções capaz de executar estão abrir e fechar a cortina do teto solar, alterar estações de rádio e fazer ligações.

Ainda no capítulo conectividade, o GLB 200 Launch Edition tem carregador de celular por indução (sem fio) e mais três entradas USB do tipo C na frente. Além disso, vem com cabos adaptadores que tornam o carro compatível com diversos tipos de smartphones.

Desempenho

Mercedes-Benz GLB 200 - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Na linha Mercedes, o motor 1.3 turbo substituiu o 1.6, que tinha 156 cv. Com a mudança, ganhou potência e ficou mais econômico - a média cidade/estrada do carro ficou em 10,6 km/l. Em um modelo de mais de 1.600 quilos, como o GLB, esse propulsor não sobra, mas também não faz do SUV um carro lento.

É um propulsor bem na medida, que não proporcionará, jamais, a emoção de retomadas extremamente ágeis. Mas, como tem bom torque, de 25,5 mkgf a partir de baixos 1.620 rpm, o motor ganha velocidade com eficiência. O motorista não ficará na mão na hora de uma ultrapassagem, ao ao subir uma ladeira íngreme.

O bom e rápido câmbio automatizado de sete marchas e duas embreagens ajuda a tirar o melhor desse 1.3, que em breve deverá estar nas linhas Captur e Duster à venda no Brasil. Já a tração, como na maioria dos carros que usam essa plataforma, é dianteira.

O GLB tem respostas precisas de direção e vai bem nas mudanças de trajetória. Nas curvas, porém, a carroceria apresenta uma certa rolagem. Alto, esse SUV não tem a pegada mais próxima de carros de passeio do GLA, e também de X1, Q3 e XC40.

Por outro lado, o conforto é um ponto alto. A suspensão filtra muito bem as irregularidades dos pisos e passar por lombadas e valetas é missão que o GLB vence com muita desenvoltura.

O GLB tem os modos de condução econômico, confortável e esportivo. Eles alteram as respostas da direção e do conjunto motor-câmbio.

Versões

Mercedes-Benz GLB 200 - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

O GLB 200 Launch Edition ainda tem unidades em estoque. Porém, após elas se esgotarem, não será mais trazido ao Brasil. A gama será mantida com o Advance e o Progressive.

Em relação ao Launch Edition, o Advance perde alguns itens, como o teto solar panorâmico e os comandos elétricos para o banco do passageiro dianteiro - apenas no do motorista a comodidade foi mantida.

Já a Progressive é praticamente idêntica à Launch Edition. A diferença é que, na atual versão intermediária, não há as soleiras iluminadas. Considerando a diferença de R$ 9 mil, vale muito a pena abrir mão desse equipamento.

Mercado

Com as novas versões, o GLB 200 ficou com preço próximo ao do XC40 e do X1, além das versões mais caras do Q3. E com a vantagem de ser o único entre esses modelos com sete lugares. Outro rival direto do Mercedes-Benz é o Discovery Sport, que também oferece essa configuração de cabine - como item opcionais. O preço do Land Rover com três fileiras de assento parte de R$ 302.650.

Fora do segmento de marcas premium, o GLB 200 pode também brigar por clientes com o Tiguan. O Volkswagen tem aptidões semelhantes e foca em um público com as mesmas necessidades. Porém, é mais potente (220 cv) e custa cerca de R$ 35 mil a menos.

As novas versões devem ampliar as vendas do GLB. Apesar de ele já ser o carro mais vendido da marca no Brasil, ainda está atrás do Volvo XC40, Audi Q3, BMW X1 e até do Land Rover Discovery.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL