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Escolas do Rio definem sambas para Carnaval com Carlinhos Brown e medalhões

Programa da Globo terá Luis Roberto no comando Imagem: Divulgação

Anderson Baltar

Colaboração para o UOL, no Rio

16/10/2021 04h00

Na madrugada de domingo, logo após o "Altas Horas", as escolas de samba do Rio de Janeiro começarão a revelar seus sambas para o Carnaval 2022 com a exibição do primeiro episódio do "Seleção do Samba", programa gravado no final de setembro pela Globo na Cidade do Samba. Apresentado por Luis Roberto e com comentários de Milton Cunha e Teresa Cristina, a atração levará ao ar as definições de três escolas por semana, até o dia 6 de novembro. No final de semana seguinte, um especial com todos os vencedores será exibido.

Será a primeira oportunidade de mostrar para o grande público os concursos que selecionam os sambas que as escolas apresentarão na Sapucaí. Antes relegado aos ambientes das quadras, os concursos, por conta da pandemia de covid-19, acabaram sendo realizados, na maioria das agremiações, por meio de lives no YouTube. Por sugestão da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba), a TV Globo criou o projeto e cada escola definiu três sambas finalistas, que estarão no programa.

Seguindo a linha de reality shows como o Masked Singer, toda a competição já foi gravada. Desta forma, os resultados foram definidos e divulgados pelas escolas no dia da gravação, por meio de suas redes sociais. Mas, mesmo com a falta do fator surpresa, o programa pretende revelar como as escolas fazem essa seleção, com explicações também sobre os enredos.

Em cada programa, três escolas serão apresentadas. Neste primeiro episódio, o público poderá conferir os campeões da Mangueira, São Clemente e Mocidade Independente de Padre Miguel. Nas semanas seguintes, irão ao ar as disputas de Imperatriz, Vila Isabel e Salgueiro (dia 23/10), Unidos da Tijuca, Portela e Grande Rio (30) e Paraiso do Tuiuti, Beija-Flor e Viradouro (06/11).

"Medalhões" venceram em seis escolas

Dentre os campeões nas escolas, há a presença de nomes consagrados. Em seis das 12 agremiações, há um "medalhão" assinando samba. Um deles é novato: Carlinhos Brown, ícone do Carnaval baiano, é um dos compositores do samba da Mocidade Independente de Padre Miguel - em que decidiu se aventurar pelo fato do enredo ser sobre o orixá Oxossi, de sua devoção.

Dudu Nobre emplacou o samba da Unidos de Vila Isabel. Ao lado de compositores consagrados da escola, como André Diniz e Evandro Bocão, conquistou o direito de levar para a avenida o samba que homenageará Martinho da Vila.

"Estou muito emocionado por ter vencido essa disputa, com um samba sobre meu grande ídolo. E também, bastante curioso com a repercussão do programa. As pessoas poderão ver como é a nossa emoção em ganhar um samba. Acho que será um momento de retomada para o samba", afirmou.

Completando o grupo de grandes nomes vencedores, Moacyr Luz assina os sambas da Mangueira e do Paraíso do Tuiuti e Arlindinho Cruz venceu na São Clemente e na Grande Rio.

Sambas inovadores

Outras obras, assinadas por compositores oriundos das escolas, chamam a atenção por trazer novos para o gênero samba-enredo, fugindo aos padrões tradicionais. Neste aspecto, chama a atenção o samba da campeã Unidos do Viradouro, assinado pela parceria comandada pelo compositor Felipe Filósofo.

Para retratar o Carnaval de 1919, o primeiro realizado após a epidemia de gripe espanhola, os compositores se valeram de um recurso inédito na história do Carnaval: uma letra em formato de carta. Assinada pelo "pierrô apaixonado", se encerra com a data da quarta-feira de Cinzas daquele Carnaval: "Rio de Janeiro, 5 de março de 1919".

No quesito inovação, outro destaque é a Unidos da Tijuca, que para levar para a avenida o enredo sobre a lenda do guaraná, apostou em um samba de melodia sinuosa e inusitada, assinado pelos compositores Anderson Benson, Eduardo Medrado e Kleber Rodrigues.

Outra particularidade da safra é a presença de um samba com apenas um compositor - fato que não acontecia desde 1997 no Grupo Especial. O autor da proeza é Gabriel Melo, da Imperatriz Leopoldinense: "Fico muito feliz de ter quebrado esse tabu em um ano tão especial, com uma disputa tão diferente e mostrar a minha arte para todo o país". O compositor vê a experiência do programa como interessante para massificar novamente o samba-enredo: "Esse é o espaço mais importante que o gênero recebeu em muitos anos. Espero que o Brasil todo volte a cantar os sambas e isso dê oxigênio para a renovação do gênero".

Sambas nas plataformas digitais

Desde 30 de setembro acontece, nos estúdios da Companhia dos Técnicos, no Rio, a gravação do álbum dos sambas-enredos. A previsão é que as faixas cheguem às principais plataformas digitais a partir da madrugada de domingo. E, neste fato, reside uma particularidade: os sambas que serão cantados no programa serão ligeiramente diferentes das versões oficiais. Várias escolas, como Portela, Salgueiro, Vila Isabel, Grande Rio e Mocidade já haviam anunciado pequenas modificações em suas obras.

Sucesso nas redes sociais

Por conta da pandemia, pela primeira vez as decisões ficaram fora das quadras, rompendo uma longa tradição. Desta forma, nas últimas semanas uma das principais discussões no mundo do Carnaval foi sobre a validade da experiência. Afinal, se, tradicionalmente o ritual era restrito às comunidades das escolas e, não raro, terminavam com o dia amanhecendo, desta vez foi realizado durante o dia, com os resultados sendo divulgados, em tempo real, pelas redes sociais das escolas.

A Portela, por exemplo, chegou, no momento da divulgação do seu samba, ao quinto lugar nos trending topics do Twitter no país. Seu resultado, divulgado por volta das 17h do dia 31, rendeu uma verdadeira enxurradas de tweets repercutindo a vitória do samba da parceria comandada pelo experiente compositor Wanderley Monteiro. O assessor de Marketing da agremiação, Paulo Renato Vaz, avalia que a visibilidade da escola nas redes sociais foi maior do que a de anos anteriores.

"Como, desde o início, a disputa ficou restrita à internet, com a apresentação de sambas em lives promovidas pela escola, na hora do resultado isso foi potencializado. Certamente, foi um fato totalmente fora da curva no que diz respeito à comunicação de todas as escolas", acredita.

Algumas escolas, como a Mocidade Independente de Padre Miguel e a Imperatriz Leopoldinense divulgaram os resultados com lives no YouTube. A São Clemente, que fará um desfile em homenagem ao humorista Paulo Gustavo, divulgou um vídeo nas redes sociais em que o campeão foi anunciado por D. Déa, mãe do homenageado. Já a Grande Rio e a Viradouro apostaram em eventos em suas quadras, transmitidos pela internet, para festejar os vencedores. Na escola de Caxias, o resultado foi anunciado para o grande público nos moldes tradicionais.

"Por conta das restrições da pandemia, não tivemos a comunidade próxima do processo como sempre. Por isso fizemos o evento, que foi muito positivo por trazer as pessoas que amam a escola para perto", explica o diretor de Carnaval da Grande Rio, Thiago Monteiro.

Veja as parcerias vencedoras em cada escola:

Mangueira - Moacyr Luz e parceiros
São Clemente - Arlindinho Cruz e parceiros
Mocidade - Carlinhos Brown e parceiros
Imperatriz - Gabriel Melo
Vila Isabel - Dudu Nobre e parceiros
Salgueiro - Demá Chagas e parceiros
Unidos da Tijuca - Anderson Benson e parceiros
Portela - Wanderley Monteiro e parceiros
Grande Rio - Arlindinho Cruz e parceiros
Tuiuti - Moacyr Luz e parceiros
Beija-Flor - J. Veloso e parceiros
Viradouro - Felipe Filósofo e parceiros

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