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"Sorriso no rosto dos negros é um tapa na cara da sociedade", diz Negra Li

Negra Li posa no camarim antes de desfilar pelo Salgueiro na Sapucaí  - Herculano Barreto Filho/UOL
Negra Li posa no camarim antes de desfilar pelo Salgueiro na Sapucaí Imagem: Herculano Barreto Filho/UOL

Herculano Barreto Filho

Do UOL, no Rio de Janeiro

25/02/2020 00h04

Negra Li conheceu a comunidade do Salgueiro, na zona norte do Rio, para saber mais sobre a história da passista Sabrina Ginga, retratada na série Donas do Baile. Em seguida, foi convidada para compor um carro alegórico da escola com artistas negros. Enquanto se preparava para entrar na Sapucaí, no camarim, a artista falou sobre a importância da representatividade dos negros na sociedade.

"Eu sempre tinha que lembrar que era uma menina negra e pobre. Foi muita luta", disse ao UOL.

Ela lembrou da infância pobre na Brasilândia, zona norte de São Paulo. E traçou um paralelo com a vida da sua filha, de 10 anos. "A minha filha consegue se ver em todos os lugares. Mas a luta ainda continua. Eu sobrevivi à realidade de uma periferia muito violenta. A arte me levou para outros lugares. O negro precisa ocupar os espaços de forma natural".

A artista também falou sobre a importância do protagonismo dos negros no enredo do Salgueiro. "O samba é uma referência na comunidade negra, pobre e periférica. O sorriso no rosto dos negros é um tapa na cara da sociedade. Estar nessa posição hoje é uma homenagem a toda correria que tive nos meus 20 anos de carreira".

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