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Tuiuti homenageia padroeiro do Rio e lamenta martírio da cidade: Vai passar

Leonardo Diniz representa "Rei do povo" e segura a faixa com a frase "Vai passar" em desfile da Paraíso do Tuiuti - Reprodução/TV Globo
Leonardo Diniz representa "Rei do povo" e segura a faixa com a frase "Vai passar" em desfile da Paraíso do Tuiuti
Imagem: Reprodução/TV Globo

Do UOL, em São Paulo e no Rio*

24/02/2020 01h12

Resumo da notícia

  • Tuiuti busca título inédito no Grupo Especial
  • Enredo unia Dom Sebastião e São Sebastião
  • Lívia Andrade estreou como rainha de bateria
  • Escola teve problema para pôr um carro na avenida
  • Mensagem final destacava martírio da cidade do Rio

Em 2020, Paraíso do Tuiuti levou para a avenida o tema "O Santo e o Rei - Encantarias de Sebastião" em busca de um título inédito no Grupo Especial do Carnaval Carioca.

O enredo cruzou a história de Dom Sebastião, rei de Portugal desaparecido no século 16 após uma batalha no Marrocos e que é cultuado até hoje, com a de São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro e também da escola.

Apesar de um tema mais voltado para a História, a escola manteve a tradição e conseguiu mais uma vez trazer seu desfile para a atualidade, fechando com uma mensagem à cidade, tomada pela violência, no último carro, que trazia uma enorme escultura de São Sebastião.

"Vai passar", dizia uma faixa estendida pelo destaque Leonardo Diniz. Ele representava o rei do povo. Os integrantes na lateral traziam papéis com dados de violência, como mortes de mulheres e pessoas trans, estampados nas saias da fantasia.

"A nossa mensagem é fazer com que santo e rei, unidos em um só espírito, representem a busca do nosso povo pelo seu próprio rumo", explicou o carnavalesco João Vitor Araújo ainda no início do desfile.

A azul e amarelo desfilou com 29 alas, 5 carros alegóricos, 3 tripés e 3.500 componentes. A agremiação do bairro de São Cristóvão traz a apresentadora Lívia Andrade como nova rainha de bateria. Ela veio vestida de Ninfa das Águas Místicas à frente da bateria dos encantados do Mestre Ricardinho.

Infláveis e misticismo

Apesar da beleza plástica da escola, como as bolhas de sabão e as águas-vivas infláveis flutuando a 16 metros de altura no carro Palácio Marinho de Dom Sebastião, a reação do público ao desfile foi tão morna quanto a da escola anterior, a Mangueira.

A Tuiuti fez um desfile bastante místico, com referências a várias lendas ligadas a Dom Sebastião, que desapareceu depois de uma batalha e teria navegado mar adentro em uma nau encantada. Já a lenda que diz que uma miragem do rei português foi avistada em uma praia maranhense trouxe também elementos nordestinos ao desfile.

Isso a Globo não mostra

O segundo carro da Tuiuti, que trazia Dom Sebastião caído e cavalos à frente teve dificuldades para entrar na avenida. A dificuldade na manobra na concentração causou um buraco entre as alas. A falha foi praticamente imperceptível para quem viu o desfile pela TV, mas o desespero de integrantes da escola foi sentido na Sapucaí.

A alegoria representava a grande batalha em que Dom Sebastião desapareceu, com vários símbolos da cultura moura e uma única cor: areia. A derrota na Batalha de Alcácer Quibir foi uma das maiores quedas da história lusitana.

O melhor resultado da Tuiuti no grupo especial do carnaval carioca foi em 2018. Naquele ano, a escola levou para a avenida um vampirão que remetia ao então presidente Michel Temer e levou o vice-campeonato. Já no ano passado a escola amargou um oitavo lugar com outro enredo politizado, "O Salvador da Pátria".

*colaboração de Ananda Portela e Herculano Barreto Filho

Samba-enredo

"O Santo e o Rei - Encantarias de Sebastião"

Autores: Moacyr Luz, Cláudio Russo, Aníbal, Píer, Júlio Alves e Alessandro Falcão

Intérpretes: Celsinho Mody e Nino do Milênio

Todo 20 de Janeiro
Nos altares e terreiros
Pelos campos de batalha
Uma vela pro Divino
O imperador menino
Um Sebastião não falha

Nas marés, o desejado
Infiéis pra todo lado
Enfrentou a lua cheia
No deserto, um grão de areia
Dom Sebastião vagueia
Sem futuro, nem passado

Renasce sob nós, um caboclo encantado
Na Praia dos Lençóis, é o Touro Coroado
Vestiu bumba-meu-boi
Até mudou o fado
No couro do tambor foi batizado

Poeira, ê! Poeira!
Pedra Bonita pôs o santo no altar
Sangrou a terra, onde a paz chorou a guerra
Mas ele vai voltar!

(Oh, meu Rio...)

Rio, do peito flechado
Dos apaixonados
Rio batuqueiro
Oxóssi, orixá das coisas belas
Guardião dessa Aquarela
Salve o Rio de Janeiro!
Orfeus tocam liras na favela
A cidade das mazelas
Pede ao Santo proteção
Grito o teu nome no cruzeiro
Oh, Padroeiro! Toda a minha devoção!

No Morro do Tuiuti
No alto do Terreirão
O cortejo vai subir
Pra saudar Sebastião!

Rio de Janeiro