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'É uma família', diz integrante do Cacique de Ramos, que desfilou tradição

Foliões curtem Cacique de Ramos, tradicional bloco carnavalesco do Rio de Janeiro - Marcelo de Jesus/UOL
Foliões curtem Cacique de Ramos, tradicional bloco carnavalesco do Rio de Janeiro Imagem: Marcelo de Jesus/UOL

Thiago Camara

Colaboração para o UOL, no Rio

24/02/2020 00h21

A tradição do Cacique de Ramos, bloco fundado em 1961, foi maior que qualquer "cancelamento na Internet" e o atraso de quase duas horas. As polêmicas pré-carnavalescas e críticas ao racismo no mundo virtual não atrapalharam o Carnaval real do bloco, que desfilou neste domingo (23) no Rio de Janeiro, após concentração na Avenida Almirante Barroso, desde as 17h.

Bira Presidente, à frente da agremiação desde a sua fundação, reclamou da falta de organização da Prefeitura do Rio pelo atraso. Ele fez coro ao presidente do Cordão da Bola Preta, Pedro Ernesto Marinho, que no sábado falou sobre o tratamento dispensado aos tradicionais blocos de rua do Rio.

"Não sei qual é a razão de colocar um bloco de 20 pessoas e prender o desfile de um bloco com 8 mil componentes. Estamos esperando desde as 16h. Não estou desmerecendo o bloco menor, eu comecei pequeno assim. Mas colocar a gente no horário e atrasar, assim?", reclamou Bira, em referência ao bloco Boêmios de São Cristóvão, que saiu na frente do Cacique.

Os 200 ritmistas da bateria levantaram o clima da Avenida Chile e fizeram jus às cinco décadas de Carnaval da agremiação. "Cacique de Ramos e o Bafo da Onça são tradição, os melhores blocos de todos", disse a autônoma Jaciara Magalhães, integrante do bloco há duas décadas.

E teve espaço para estreias também. A indígena potiguar Hannah Cacy chamava a atenção dançando e fazendo poses de guerra à frente da alegoria do indígena Apache que representa o Cacique de Ramos.

"As pessoas têm de mostrar nossa cultura, sim. Falar sobre as nossas florestas", opinou ela, que foi convidada por Bira após visitar a quadra do Cacique.

Assim como Hannah, a aposentada Rosângela Leonardo desfilou pela primeira vez, apesar de já ser foliã do bloco Gato de Pilares, onde mora.

"Sempre tive loucura por desfilar nesse bloco, agora vai ser todo ano, até quando Deus quiser", disse.

Rosângela endossou o clima do bloco. "O Cacique é uma família. Tem gente que eu nunca vi e quando cheguei, me abraçou."

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