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Aos 28 anos, Pâmella Gomes completa 'bodas de prata' na Tom Maior

Rainha de bateria da Tom Maior, Pâmella Gomes estreou no samba aos 3 anos - Marcelo Justo/UOL
Rainha de bateria da Tom Maior, Pâmella Gomes estreou no samba aos 3 anos Imagem: Marcelo Justo/UOL

Soraia Gama

Colaboração para o UOL, em São Paulo

18/02/2020 04h00

No alto dos seus 28 anos, dos quais 25 ela sempre passou o Carnaval na Tom Maior, Pâmella Gomes não sabia o que era tirar férias em janeiro para viajar com amigos ou namorado. Esse período do ano, que antecede os desfiles, sempre foi dedicado 100% aos ensaios, principalmente depois que foi coroada rainha de bateria, em 2013.

Mas, em 2020, essa história mudou um pouquinho. "Dividi minhas férias em duas. Metade do tempo eu viajei em um grupo de oito amigas e na outra metade eu me dediquei à escola", conta Pâmella, que foi conhecer a Disney e fez um cruzeiro em Miami (EUA) ao lado de amigas do balé do Faustão, onde trabalha há três anos (em abril ela completa quatro).

"Era um sonho antigo e foi maravilhoso. Mas em alguns momentos eu me senti dividida, pensando em como estava o ensaio na quadra. Apesar de não sermos quesito [rainhas de bateria não são julgadas no Carnaval], eu me cobro muito", confessa a moça.

Tudo em família

Outra revelação foi de que estava preocupada em ganhar uns quilos extras na viagem, mas isso não foi um problema. "Eu emagreci três quilos, acredita? Não gostei da comida de lá", diz a dançarina. O negócio dela é arroz, feijão, carne e batata frita. Foi esse o cardápio que pediu para a avó preparar na sua volta ao Brasil. Avó essa que também desfila na Tom, na ala da velha-guarda.

Pâmella Gomes e a tia, Andréia, madrinha de bateria da Tom Maior -  -
Aliás, a família Gomes está em peso na agremiação do Bom Retiro. A moça é filha de Jairo e Simone, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. A tia Andréia (na foto), que hoje é madrinha da bateria, já foi rainha e é casada com o Mestre Carlão.

Pâmella também tem dois primos na agremiação e um irmão mais novo, mas esse só aparece praticamente quando está tudo pronto: "Ele não frequenta a escola, só vem mesmo como apoio um pouco antes do desfile. Ele tem 25 anos e morre de ciúme de mim, mas é meu maior fã."

Da ala infantil para o mundo

A história da bailarina com a agremiação começou na ala infantil, quando ela tinha 3 anos - aos 5 já era rainha mirim. Dos 8 aos 15 ocupou o posto de madrinha da bateria e resolveu se aventurar pelo Anhembi. Desfilou como destaque de chão, no carro... Até que voltou para a bateria em 2011 como princesa e assumiu, em 2013, o cargo de rainha.

Pâmella Gomes -  -
Sobre o espetáculo deste ano, ela faz segredo: "Só posso dizer que vou usar uma cor que nunca usei no Carnaval e não faz parte do meu guarda-roupa. Eu gosto de inovar, de ousar, e confio no carnavalesco", diz a rainha. Sobre sua fantasia de musa na Imperatriz Leopoldinense, no Rio de Janeiro, é claro que ela também faz mistério e só conta como aconteceu o convite: "Eles vieram conhecer a Tom no ano em que homenageamos a Imperatriz Leopoldina [2018]. Eles me viram sambando e gostaram". E como não gostar, não é mesmo?

Para aguentar essa maratona, Pâmella faz treinos de resistência na esteira praticamente todos os dias, fortalece os músculos com um pouco de musculação, nada exagerado, e ensaia, de duas a três vezes por semana, com as outras 39 mulheres do balé da Globo. "Eu faço o tipo mignon, não combino com o corpo todo sarado. A Sabrina Sato tem o corpo na medida que eu gosto. Ela é linda!"

Uma vida no palco

Atriz formada pela Teatro Escola Macunaíma, ela deu seus primeiros passos no espetáculo "Chacrinha, o Musical" (2014) e na comédia "Louca e Ciumenta" (2018). E, apesar de nunca ter estudado dança, trabalhar como bailarina do "Domingão" foi a realização de um antigo desejo. Outro sonho que ela quer transformar em realidade é o de se formar jornalista —as aulas na FMU no período da manhã começarão logo mais.

Pâmella Gomes -  -
A vontade de se tornar repórter de TV [na área de entretenimento] foi despertada depois de fazer uma participação no GShow, quando entrevistou Sandra Annenberg. Coincidência ou não, Sandra foi bailarina, atriz e é jornalista. "Eu me lembro que estudei muito antes de entrevistá-la. Ela me elogiou e ainda brincou dizendo que eu sabia mais sobre a vida dela do que ela mesma", diverte-se Pâmella. Essa desenvoltura também a ajuda a participar dos quadros de merchandising no dominical da Globo.

Com tantos compromissos, será que a participação como rainha de bateria fica comprometida? "Agora eu consigo administrar. Eu me cobro mais do que a própria direção. Eu cresci aqui e sinto que eles têm orgulho de ver a Pâmella em que eu me transformei. Claro que uma hora, por mim ou pela escola, eu vou deixar o posto. Mas não vou sair do Carnaval", promete.

Namoro

Já a relação com o ator e produtor Marcelo Zarantonelli parece ter engatado. Meio enrolados há uns dois anos, desde outubro o namoro se mostra firme. Segundo ela, o namorado não reclama de nada e está sempre por perto para apoiá-la. Aliás, ele vai desfilar ali, pertinho dela, na bateria do Mestre Carlão, em São Paulo - no Rio ainda não é certeza. "Vai ser a primeira vez dele em um desfile. No ensaio de rua ele já ficou todo feliz, parecia uma criança", conta Pâmella.

Ela diz que pensa, sim, em ser mãe. "Eu costumava dizer que queria ter gêmeos, mas ninguém na minha família teve, então sei que é difícil. Mas acho que dois. Um casal ia ser lindo". Com certeza! E, se seguirem os passos dos avós, logo a Tom Maior terá um novo casal mirim de mestre-sala e porta-bandeira.

São Paulo