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Quitéria Chagas fala de plástica, despedida do Carnaval e trabalho de doula

Quitéria Chagas é rainha de bateria da Império Serrano - Reprodução/ Instagram
Quitéria Chagas é rainha de bateria da Império Serrano Imagem: Reprodução/ Instagram

Rafael Godinho

Do UOL, no Rio

14/02/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Quitéria Chagas está completando 20 anos no Carnaval
  • A beldade irá se despedir da folia desfilando como rainha de bateria da Império Serrano
  • Quitéria colocou silicone nos seios para elevar sua autoestima e confiança
  • A passista também tem formação em Psicologia e doula
  • Atualmente, ela mora em Milão, na Itália, com a família

Quitéria Chagas está a mil com sua despedida do Carnaval. A beldade, que completou 40 anos, 20 deles dedicados à folia, se preparou bastante para desfilar como rainha de bateria da Império Serrano pela última vez. Além de dieta e exercícios físicos, ela também colocou próteses de silicone nos seios.

Quitéria contou ao UOL que após engordar 40kg na gravidez e ter emagrecido rapidamente, os seios ficaram flácidos. Depois de um ano e dois meses que a filha dela, Elena, parou de mamar, ela esperou por quatro anos a pele retornar a sua textura natural para fazer a intervenção estética.

"A principal coisa que o silicone devolveu foi a massa nos seios, pois eles estavam pequenos e caídos. Os bicos não estavam centralizados e eu havia perdido a sensibilidade, que retornou após a cirurgia plástica. Isso reavivou minha autoestima e feminilidade", comemora.

Quitéria Chagas mora em Milão, na Itália - Reprodução/ Instagram
Quitéria Chagas mora em Milão, na Itália
Imagem: Reprodução/ Instagram
A passista se emociona ao falar das duas décadas dedicadas à agremiação do coração. "Apesar de não ter nascido na Serrinha, o amor da comunidade me faz sentir parte dela, eles já me inseriram de forma espontânea. Somos uma família. Estou emocionada, porque a história da escola se mistura com a história da minha vida. Possuo muita gratidão à escola e ao mundo do Carnaval por tudo que sou e tenho", agradece.

Para Quitéria, um dos motivos principais para se aposentar o posto de rainha de bateria é a residência fixa na Europa. Atualmente, ela mora em Milão, na Itália, e o valor das passagens aéreas para vir ao Brasil participar dos eventos da escola pesa no bolso.

"Fica muito complicado frequentar os ensaios ao longo dos meses. O custo é muito alto. Infelizmente, rainha ainda não tem patrocínio e nem salário. Mas estou feliz com minha história. Sinto que estou deixando espaço para uma nova geração, e torço para que surjam novos talentos para evoluir a nossa arte", deseja.

Reprodução/ Instagram/ Vinicius Mochizuki
Imagem: Reprodução/ Instagram/ Vinicius Mochizuki
Quitéria vê com muita responsabilidade ser escolhida para usar a coroa de uma agremiação. Entre outras questões, ela destaca a importância da representatividade da mulher negra para as meninas da comunidade.

"Além de ser muito esperada, ela representa sua comunidade, toda história da escola e das mulheres do samba. Representa muito para as meninas da comunidade ser uma rainha negra. Amo poder reverenciar a bateria sinfônica do samba de mestre Gilmar", comemora.

Ao ser questionada sobre o momento mais marcante da sua história no Carnaval, a beldade relembra um perrengue na Marquês de Sapucaí. Em 2005, quando ela foi destaque de chão da Império Serrano, a sandália dela quebrou antes de entrar e ela decidiu desfilar descalça.

"Sambei deslizando na pista molhada, fazendo os malabarismos de sambista para não escorregar. Não caí, mas esfolei toda a planta dos meus pés. Saí da Sapucaí com os pés enfaixados, e passei o resto do Carnaval em casa, vendo tudo pela TV. Apesar disso tudo, valeu a pena! Foi um desfile incrível", conta.

Em solo italiano, Quitéria estuda para validar sua formação de psicóloga. A validação do diploma brasileiro para o europeu não é tão simples e envolve todo um processo burocrático.

"Após o carnaval, me empenharei mais nisso. Cuido da minha filha, Elena, de 4 anos, da casa e da família. Claro que também tiro um tempinho para me dedicar a mim mesma, como fazer academia", comenta, ela sobre sua rotina no exterior.

Quitéria Chagas e a filha, Elena, nos alpes italianos - Reprodução/ Instagram
Quitéria Chagas e a filha, Elena, nos alpes italianos
Imagem: Reprodução/ Instagram
Além da formação psicologia, Quitéria também é doula. "As doulas são profissionais que apoiam e informam as gestantes. Elas usam métodos não farmacológicos para alívio das dores no trabalho de parto. Gostamos de dizer que não fazemos parto, fazemos parte do apoio à mulher, até mesmo nas questões emocionais", explica.

A passista fez o curso de formação de doula e consultoria em amamentação durante a sua gestação, porque queria fazer o seu parto de forma natural. No final, ela mudou o parto dela de hospitalar para domiciliar e conseguiu realizar sozinha, com a assistência de uma equipe obstétrica.

"Depois, atendi gestantes e as acompanhei em hospitais públicos e particulares. Consegui realizar o sonho de muitas mulheres de parir de forma natural. Geralmente, a gestante busca doula para ajudá-la a realizar o parto natural, mas também somos importantes para ajudar e apoiar todas as mulheres nesse período tão sensível e delicado. Orientamos sobre os cuidados com bebê e amamentação. Acompanhamos no dia do parto e alguns dias depois também, em domicílio", diz.

Quitéria fez parte da conquista da Lei das Doulas no Estado do Rio de Janeiro. "Fui uma das fundadoras da Associação das Doulas do Rio de Janeiro, e, apesar de não morar mais no Brasil, acompanho de longe a luta da classe. Sempre que posso, divulgo algo para incentivar todas as mulheres a saberem a importância das doulas e a buscarem ter uma na maternidade", indica.