PUBLICIDADE
Topo

Confraria do Pasmado aposta no tropicalismo para reagir a ataques à cultura

Confraria do Pasmado desfila na Zona Oeste de São Paulo desde 2006 - Edson Lopes Jr./UOL
Confraria do Pasmado desfila na Zona Oeste de São Paulo desde 2006 Imagem: Edson Lopes Jr./UOL

Thaís Sant'Anna

Colaboração para o UOL, em São Paulo

14/02/2020 15h20

Com 17 anos de existência, o Cordão Carnavalesco Confraria do Pasmado promete um dos seus desfiles mais memoráveis neste Carnaval 2020. O bloco de rua sairá neste domingo, 16, a partir das 10h, com concentração na Rua dos Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, e espera um público de cerca de 15 mil pessoas.

A folia virá com uma crítica ao atual governo. O tema é "O Anarcotropicalismo no carnaval da distopia".

Bruno Ferrari, diretor da Confraria do Pasmado, explica que o bloco não é político e nem se envolve com grupos, partidos e causas partidárias, mas que sempre busca trazer temas atuais, que conversem com sua linha progressista.

"Dado o viés distópico do governo atual, que apoia terraplanismo, ameaça comunista, a volta do AI-5, entre outras loucuras, e no momento em que a cultura está sob ataque, a gente foi buscar no movimento tropicalista a reação que eles tiveram, que ocorreu mais por meio da música do que por meio de uma luta política, digamos, mais ostensiva. O Anarcotropicalismo vem porque, apesar de fazermos releituras de músicas famosas da MPB, nosso repertório é meio anárquico, indo desde sambas tradicionais até o funk, pancadão e brega", diz.

Para Ferrari, fazer uma cidade como São Paulo parar por um tempo para as pessoas se divertirem de maneira democrática e gratuita não deixa de ser um meio de protesto.

"Ocupar as ruas, por si só, já é um ato político ao trazer uma manifestação cultural do tamanho que é o Carnaval, espontânea da população, em um governo que, de diversas formas, tem atacado ostensivamente a cultura do país", declara.

Mudanças em quase 20 anos de Carnaval

Confraria do Pasmado surgiu em 2003, numa roda de samba entre amigos, mas seu primeiro desfile só aconteceu três anos depois. De lá para cá, o Carnaval se tornou mais profissional, e os blocos de rua se espalharam pela cidade.

"Hoje em dia exija-se que você tenha uma estrutura de som e uma infraestrutura, com médicos, ambulância, bombeiros, para garantir que a festa ocorra da melhor forma possível. Isso não quer dizer que todos os blocos tenham se transformado em negócios, apesar de que muitos negócios surgiram nessa esteira", afirma Ferrari.

Segundo ele, a maior dificuldade é manter a identidade do Pasmado nessas quase duas décadas de existência.

"É um bloco de amigos, querendo fazer música boa e levar um Carnaval de rua gratuito, acessível e democrático para a população de São Paulo", completa.

Apoio da prefeitura

Ferrari conta que, durante muitos anos, a prefeitura de São Paulo ignorou os blocos de rua, quando ainda não era um movimento tão consolidado. Atualmente isso melhorou, diz ele, mas ainda há defeitos.

"Falando da gestão atual, na figura do Alê Youssef, Secretário da Cultura, houve, sim, um diálogo inicial, com a criação de comissões dos blocos. O que poderia dizer é que a expectativa que a gente criou era muito mais alta do que de fato estamos recebendo nessa reta final. Estamos a dois dias do nosso desfile e não sabemos ainda quantos banheiros químicos vão ter, e nem onde vão ficar, por exemplo", desabafa.

Ferrari acredita que a prefeitura não conseguiu acompanhar a dimensão que o Carnaval de São Paulo tomou este ano.

"Isso é uma crítica construtiva. Acho que tem muito a melhorar", pondera.

Bloco Confraria do Pasmado (Pasmadão)

Quando: 16 de fevereiro, domingo, a partir das 10h
Onde: Concentração na Rua dos Pinheiros, 1037
O que toca: MPB, sambas tradicionais do Rio, marchinhas, funk
Mais informações: Clique aqui

Blocos de Rua