PUBLICIDADE
Topo

São Paulo

Rosas de Ouro aposta na tecnologia e folião ganha braço biônico

Marcelo Camargo, frequentador da Rosas de Ouro - Leo Franco/Divulgação
Marcelo Camargo, frequentador da Rosas de Ouro Imagem: Leo Franco/Divulgação

Soraia Gama

Colaboração para o UOL, Em São Paulo

12/02/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Marcelo Camargo amputou o braço direito há 25 anos, após um acidente de ônibus durante uma viagem
  • Integrante da Rosas há três anos, o folião conheceu a ala inclusiva da agremiação porque se voluntariou para empurrar a cadeira de rodas de uma amiga
  • Rosas de Ouro fez parcerias com universidades, empresas e startups para desenvolver meios de democratizar o acesso à tecnologia

Marcelo Camargo amputou o braço direito há 25 anos, após um acidente de ônibus durante a viagem de lua de mel. Ele, como muitos frequentadores da Rosas de Ouro, não sabia ao certo o que era essa Indústria 4.0, ou Quarta Revolução Industrial, que muita gente anda falando por aí e permeia o enredo "Tempos Modernos" - tema da escola no Carnaval 2020. Agora, além de conhecer um pouco as "mágicas" da tecnologia, ele ganhará uma prótese para desfilar no Anhembi.

Integrante da Rosas há três anos, Marcelo, 51, conheceu a ala inclusiva da agremiação porque se voluntariou para empurrar a cadeira de rodas da amiga Maria Liduina Patrício de Souza, chamada carinhosamente por todos de Lina. A amizade avançou e há três anos os dois desfilam juntos como namorados.

Marcelo era recém-formado em educação física quando aconteceu o acidente. Durante sua reabilitação na AACD, sua terapeuta indicou a prática de natação na Ciedef (Associação para Integração Esportiva do Deficiente Físico), onde conheceu Lina. Em menos de um ano veio o primeiro de muitos campeonatos nacionais. Atualmente, ele trabalha em eventos esportivos como voluntário e, às vezes, com remuneração.

No sábado, 8, dia do último ensaio técnico da escola, Marcelo estranhou o objeto encaixado em seu corpo, mas mostrou animação. "É esquisito, mas estou ansioso para poder usar e me acostumar. Esse modelo era para canhoto, então eles estão adaptando para ficar melhor. Hoje foi um teste", diz ele, com um sorrisão estampando sua felicidade. "Na época do acidente já era muito caro. Uma prótese só estética (que não mexia) custava algo em torno de R$ 7 mil. E uma com movimento era mais de R$ 20 mil. Daí eu desisti."

Democratização

O modelo da prótese usada por Marcelo é do Japão: "Estamos adaptando com peças feitas na impressora 3D [para baratear o custo]. O objetivo é massificar esse tipo de prótese para que os amputados tenham mais acesso. Para comprar é muito cara e a espera pelo SUS é muito longa", explica Ugo Ibusuki, professor da Universidade Federal do ABC, uma das parceiras da Rosas de Ouro neste Carnaval.

Junto com ele, estão no projeto mais uma professora e quatro alunos. "Precisamos mostrar para o povo que existem pesquisas importantes sendo feitas nas universidades."

Mostrar a evolução de uma impressora 3D e viabilizar o braço biônico ao folião Marcelo foi possível após a parceria da Rosas de Ouro com universidades, empresas e startups. Juntos eles desenvolveram iniciativas para democratizar o que o mercado chama de Quarta Revolução Industrial e mostrar ao grande público.

Entre as novidades tecnológicas, a escola vai levar para a Avenida dois desfiles: um físico e outro digital, que poderá ser acompanhado com o App Carnaval 4.0. A agremiação abordará a relação entre homem e tecnologia e terá em sua apresentação um robô sambista.

São Paulo