PUBLICIDADE
Topo

"Espero ser espelho para LGBTs", diz 1ª madrinha de bateria trans de SP

Camila Prins, madrinha de bateria trans da Colorado do Brás - Reprodução/ Instagram
Camila Prins, madrinha de bateria trans da Colorado do Brás Imagem: Reprodução/ Instagram

Thaís Sant'Anna

Colaboração para o UOL, em São Paulo

24/01/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Camila Prins, 40 anos, vai desfilar pela Colorado do Brás, no sábado, 22 de fevereiro
  • Bailarina nascida em Porto Ferreira, no interior paulista, é casada há 19 anos com um suíço
  • "Já sofri algumas situações no Carnaval por ser quem sou, mas minha resposta é mostrar meu samba no pé e ser eu mesma", diz

O Carnaval de São Paulo terá pela primeira vez no Grupo Especial uma madrinha de bateria transexual. Trata-se da bailarina Camila Prins, de 40 anos, da Colorado do Brás, segunda escola a entrar na avenida no sábado, 22 de fevereiro.

Apesar do novo posto, Camila não é estreante na folia. Ela desfila há 20 anos - nos últimos dois, saiu pela Camisa Verde e Branco como rainha de bateria LGBT e agora é madrinha da agremiação. O convite para a Colorado surgiu em 2018, mas a bailarina na época não aceitou.

"O presidente da escola, Antônio Carlos Borges [conhecido como Ka], estava procurando talentos para agregar em seu quadro. Viu minha trajetória e fez o convite para ser musa. Porém, eu já tinha fechado com a Camisa. Voltamos a conversar em março do ano passado, ele me convidou para integrar a corte de bateria como Madrinha LGBT e aceitei. Vou fazer dobradinha e desfilar na Camisa e na Colorado", conta.

Preconceito e machismo

Camila, que é casada há 19 anos com um suíço e nasceu em Porto Ferreira, no interior paulista, garante que os integrantes da escola a receberam da melhor maneira possível, com aplausos em sua nomeação. Porém, ela não nega que já sofreu preconceito por ser trans.

"Vivemos no país onde mais se matam transexuais no mundo, já sofri algumas situações no Carnaval por ser quem sou, mas minha resposta é olhar no olho da pessoa, mostrar meu samba no pé e, com gentileza, ser eu mesma. Aos poucos, as pessoas vão percebendo que todos somos iguais, independentemente de qualquer coisa", declara.

Como primeira madrinha transexual do Carnaval de São Paulo, Camila quer mostrar para as pessoas que é possível conseguir chegar aonde quiser.

"Espero ser espelho para todos que estão nessa luta LGBT. Já se foi o tempo em que as transexuais estavam presas à marginalidade. Hoje, temos meninas nas universidades, em empregos formais, no cotidiano social, na indústria cultural. Eu quero representar todos que lutam por nós. Mostrar na Avenida toda minha alegria, minha paixão pelo samba, quero que todos vejam a Camila Prins mulher trans, que chegou aonde cheguei com muito trabalho e muito amor", exalta.

Ela conta, ainda, já ter recebido propostas indecentes. "Mas não aceitei, estou aqui para representar uma escola inteira, uma comunidade, um amor. Propostas ofensivas eu apenas ignoro", rebate Camila, que lamenta que exista machismo no Carnaval em pleno 2020.

"Temos que ainda discutir esse assunto, e muito. Carnaval é um tempo de festa e vemos comentários e ações machistas contra as mulheres e a comunidade LGBT. Puxões de cabelo, passadas de mão, beijos roubados e até violências mais extremas... Esse tipo de comportamento machista tem de acabar", afirma.

São Paulo