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Liga concorre para organizar Carnaval de Rua e propõe camarote em São Paulo

Presidente Liga das Escolas de Samba de São Paulo, Paulo Sérgio Ferreira ao lado do prefeito Fernando Haddad - Jussara Soares
Presidente Liga das Escolas de Samba de São Paulo, Paulo Sérgio Ferreira ao lado do prefeito Fernando Haddad Imagem: Jussara Soares

Jussara Soares

Colaboração para o UOL, de São Paulo

17/12/2016 18h24

A Liga das Escolas de Samba de São Paulo é uma das quatro empresas que participaram do chamamento público para organizar, em parceria com a prefeitura, o Carnaval de Rua e negociar o patrocínio oficial. Na proposta da entidade, conforme publicado no Diário Oficial, há inclusive a previsão de camarote para o acompanhamento dos blocos. O presidente da entidade, Paulo Sérgio Ferreira, diz que está preocupado com o crescimento desorganizado do Carnaval de Rua.

“É fácil (os representantes dos blocos) irem no Facebook dizer que a Liga está se intrometendo. A Liga quer organização para não ficar como em outros estados”, diz Serginho, que criticou a informalidade dos blocos. “Noventa e nove por cento dos blocos não têm CNPJ, nem representante legal. Isso é preocupante. Se acontece algum acidente grave, quem será o responsável?”, questionou Serginho, durante a inauguração parcial da Fábrica do Samba neste sábado (17).

Na terça, os blocos de rua fizeram uma manifestação na Câmara de Vereadores e conseguiram evitar a segunda votação do projeto de Lei do vereador Aurélio Nomura (PSDB). Apelidado de “PL Quarta-Feira de Cinzas”, projeto ganhou uma emenda do vereador Milton Leite (DEM), patrono da agremiação Estrela do Terceiro Milênio, que exigia que todos os blocos tivessem CNPJ e se filiassem em associações, como a Liga da Escolas de Samba. A votação ficou para o próximo ano.

Para o presidente da Liga, as possíveis ocorrências no Carnaval de Rua poderão resvalar na imagem dos desfiles das escolas de samba. “A tendência da imprensa é generalizar o Carnaval, não separar os blocos das escolas. E, hoje, no Sambódromo temos 99% de aprovação”, observou.

No Carnaval 2016, o Carnaval de Rua já gerou mais lucros que o sambódromo. Segundo dados da prefeitura, os blocos movimentaram R$ 400 milhões, contra R$ 250 milhões que os desfiles das escolas de samba. Neste ano, se apresentaram 306 grupos. Para 2017, 495 se cadastraram para desfilar.

"Os investimentos também nos preocupam. Se é para investir no Carnaval de Rua, tem que beneficiar os blocos de São Paulo. E não vir empresários de outros estados, se aproveitarem dos altos valores dos patrocinadores e levarem o dinheiro para fora", disse Serginho, que evitou responder diretamente sobre a participação a Liga para captar patrocínio para o Carnaval.

Além da Liga, outras empresas que estão na disputa são a Organização em Comunicação e Propaganda, a SRCOM SP Entretenimento e Comunicação e a Dream Factory Comunicação, que assinou a folia em 2016 e fechou o patrocínio da Cervejaria Heineken do Brasil com seu rótulo Amstel fez um investimento estimado de R$ 4,6 milhões.

A decisão sobre o futuro patrocinador, no entanto, deve ficar para o início do próximo ano. A Dream Factory entrou com uma impugnação do chamamento, questionando a produção das demais empresas. As concorrentes devem dar detalhes sobre número de pessoas na produção, telão, trio elétrico e a organização dos palcos descentralizados. No caso da Liga, ela deve fornecer mais explicações sobre o camarote.