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Mochileiro salva ave com 'massagem cardíaca' no interior de SP; assista

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Felipe de Souza

Colaboração para o UOL, em Campinas (SP)

20/10/2020 19h03

Uma cena curiosa marcou mais um dia de caminhada de um mochileiro que anda pelo interior de São Paulo. Ao se deparar com um passarinho que tinha se chocado contra uma moto, Rodrigo Caetano de Oliveira não pensou duas vezes: fez uma massagem cardíaca no animal, que sobreviveu.

O caso aconteceu no último dia 10 durante uma caminhada na cidade de Santa Ernestina, a 325 km da capital. O assistente de departamento pessoal, que começou a mochilar este ano, seguia pela estrada que dá acesso à cidade quando viu o pássaro cruzar um motociclista que também estava no trecho.

"Não foi nem culpa do motociclista, era impossível desviar. Só vi que o pássaro tentou continuar o voo, mas caiu o chão", contou ao UOL.

Rodrigo, então, ligou a câmera e foi ao encontro do animal. Pegou a ave, tirou-a do asfalto, colocando em cima de uma das muretas de uma ponte, e começou a fazer uma "massagem cardíaca" no peito do animal.

"Foi instintivo. A primeira coisa que pensei é que ele tivesse tido uma parada cardíaca por causa do impacto, e fui com o dedo fazer a massagem. Não pensei duas vezes", afirmou.

Após alguns segundos, o passarinho se recuperou e saiu voando, até assustando Oliveira. "Mas foi uma alegria imensa. Caminhei uns 50 km aquele dia, e as pernas nem doeram", brincou. Depois disso, ele voltou a Ribeirão Preto (SP), cidade onde mora.

Ave não teve parada, mas ficou em estado de choque

A veterinária Sibila Weidman explica que, na verdade, a ave não sofreu uma parada cardiorrespiratória.

"Dá para ver no vídeo que ela ainda está respirando. Muito provavelmente ela entrou em choque por causa da pancada", disse.

O estado de choque é comum em aves que passam por grande estresse, incluindo traumas, como o caso do atropelamento. Quando isso acontece, os animais entram em estado de hipoglicemia (baixo nível de açúcar no sangue).

Sibila, porém, faz um alerta: a massagem cardíaca não foi o que salvou o animal, já que a manobra pode quebrar os ossos do peito dos animais, que são mais frágeis que os dos humanos.

"Mas, claro, não tenho dúvidas que a atitude do Rodrigo foi absolutamente para salvar a ave. O fato dele tê-la tirado do asfalto e colocado em outra superfície também foi determinante para a sobrevivência dela", finaliza.

"Faria de novo e quantas vezes fossem necessárias. Nunca me senti tão bem. Aquilo mudou minha vida", completa Rodrigo.