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Como preparar seu pet para a chegada de um novo bicho de estimação

Getty Images
Imagem: Getty Images

Taís Ilhéu

Colaboração para o UOL, em São Paulo

20/10/2020 04h00

A decisão de trazer um novo bichinho de estimação para casa deve ser muito mais pensada e planejada se você já tem um pet (mais velho ou não) vivendo com sua família. Quem já passou pela experiência sabe bem que o "primogênito" pode estranhar a chegada de um novo membro, assim como o novo cão ou gato pode também demorar um certo tempo para se ajustar à rotina dos tutores e do antigo pet.

Mas, diferente do que muita gente intui, os animais que já vivem na casa não sentem exatamente "ciúmes" do novo bicho, mas sim um instinto de territorialismo. E é muito importante entender como eles encaram esse momento e como se sentem para desenvolver estratégias que ajudem nessa adaptação.

Afinal de contas, essa resistência inicial não pode ser uma barreira para a chegada de um novo animal estimação na casa. Mais um pet na família é um ganho não apenas para as pessoas, mas também para o cão ou gato mais velho, que ganha uma nova companhia nos momentos em que os tutores não podem oferecer tanta atenção e desenvolve mais autonomia em relação aos humanos da casa.

Portanto, antes que você repense a adoção de um novo animal, confira as dicas que reunimos com a ajuda do veterinário Mário Marcondes, diretor clínico do Hospital Veterinário Sena Madureira.

Um novo bichano na casa

As regras na adaptação de gatos e cachorros, explica Mário, são um pouco diferentes por uma característica bem marcante dos bichanos: eles são muito territorialistas. Já reparou no hábito dos gatos de passarem por entre as pernas das pessoas ou mesmo de deitarem por absolutamente todos os cantos da casa? O veterinário conta que é assim que eles espalham um tipo de feromônio que marca seus territórios.

A chegada de um novo gato, portanto, significa que terá um novo animal na casa espalhando feromônios pelos cantos que o bichinho mais velho considerava dele. E por isso é normal que ele se sinta ameaçado e que até mesmo rejeite o novo membro da família em um primeiro momento!

Para evitar que isso aconteça, a dica, de uma maneira geral, é fazer uma adaptação gradual ao longo da primeira semana. Faça com que o antigo gato perceba aos poucos que, a partir daquele momento, terá que dividir seu espaço.

No primeiro dia, apresente-os um ao outro, mas sem deixá-los sozinho e evitando que entrem em conflito para não gerar nenhum trauma. Nesse primeiro momento, vale espalhar o cheiro do novo bichano por alguns lugares da casa, deixando, por exemplo, tecidos ou mantas onde ele se deitou espalhados pelos lugares onde o gato mais velho costuma frequentar. Existem até mesmo produtos disponíveis no mercado pet, como os sprays feliway, que imitam os feromônios felinos e ajudam nesse processo.

Já no terceiro dia, é possível expor os dois no mesmo ambiente, "mas sempre com monitoramento do tutor", enfatiza Mário. Ao longo do restante da semana, vale observar as reações deles e, caso sejam também animais dóceis, comece a habituá-los a dormir próximos um ao outro, respeitando ainda o espaço individual e permitindo que cada um tenha sua caminha.

A adaptação para cachorros

A adaptação de cachorros costuma ser mais tranquila do que a dos gatos justamente por se tratar de uma espécie naturalmente mais sociável e menos territorialista. Mas, ainda assim, os cães que já moravam na casa precisarão de um tempo para assimilar a chegada do novo animal e entender que eles "vieram para somar, e não para dividir", explica Mário.

A adaptação gradual ao longo da primeira semana também vale para os cachorros, e o contato deles nos primeiros dias deve ser sempre supervisionado para evitar que se estranhem e fiquem logo de cara com uma má impressão do momento. Além disso, uma outra dica do veterinário é que todos os utensílios e brinquedos dos cachorros sejam separados, de bebedouros a bolinhas, para que o cãozinho com mais tempo de casa não sinta-se invadido pela presença do novo "irmão". Da mesma forma, cada um deles deve ter a própria caminha, mesmo que durmam no mesmo cômodo.

Além disso, embora os cães não sintam necessariamente ciúmes, como mencionado, é importante que aquele que está a mais tempo com a família assimile que a chegada do novo animal não veio para bagunçar a sua rotina ou para atrapalhá-lo de alguma maneira. Por isso, faça com que esse período de adaptação seja ainda mais prazeroso para ele, aumentando a frequência de passeios caso ele goste disso e dispondo mais tempo e atenção para brincadeiras.

Em algum caso não é recomendado adotar um novo pet?

De acordo com Mário, não existe restrição para trazer um novo animal de estimação para a casa - são só benefícios! Mesmo bichinhos mais velhos conseguem, em algum momento, adaptar-se ao novo membro da família e incluí-lo em seu círculo. Em algumas situações, inclusive, os novos pets são responsáveis por aumentar a qualidade de vida do outro, como em casos de animais com depressão ou ansiedade.

Um único ponto de atenção em relação aos cachorros e que geralmente não é uma preocupação para os tutores de gatos, lembra o veterinário, é que eles podem ter portes muito diversos, o que dificulta a adaptação quando se trata de um pitbull e um pinscher, por exemplo.

Por isso, o conselho do veterinário é que o porte do animal seja um fator a ser considerado antes de escolher um novo pet. Mas, é claro, esse não é necessariamente um impedimento se você pretende adotar um animal adulto ou de porte ainda não definido. O importante é que os cuidados sejam tomados especialmente nessa primeira semana e que os bichinhos aprendam a conviver juntos e respeitando o espaço um do outro. Afinal, exemplos não faltam por aí de que até cães e gatos podem formar incríveis vínculos de amizade!