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Briga de ricos: Bezos contesta escolha da SpaceX para a Lua, e Musk ironiza

Concepção artística de aeronave da Blue Origin, de Jeff Bezos, na Lua - Divulgação
Concepção artística de aeronave da Blue Origin, de Jeff Bezos, na Lua Imagem: Divulgação

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt

27/04/2021 17h30

Na era moderna da exploração espacial, a rivalidade não está apenas entre os países, mas também nas companhias privadas fornecedoras de tecnologias —e seus excêntricos chefões. Os dois homens mais ricos do mundo fazem parte da corrida para pisarmos novamente na Lua: Elon Musk, da Tesla e SpaceX, e Jeff Bezos, da Amazon e Blue Origin.

A SpaceX foi a única escolhida pela Nasa para levar o próximo homem e a primeira mulher à Lua, na primeira missão tripulada a nosso satélite em mais de 50 anos. Mas Bezos está ressentido. Na segunda (26), a Blue Origin enviou um protesto ao governo dos Estados Unidos, contestando o contrato de US$ 2,9 bilhões (R$ 16 bilhões) fechado com Musk após uma concorrência.

Mas não ficou barato. Em uma piada infame relacionando impotência sexual e foguetes, Musk disse no Twitter que Jeff Bezos "não consegue fazer subir (à órbita) risos".

Até agora, a Blue Origin apenas realizou voos de teste bem-sucedidos a altitudes relativamente baixas (suborbitais), enquanto a SpaceX já leva frequentemente astronautas e cargas para a Estação Espacial Internacional (ISS) e satélites à órbita terrestre.

De acordo com a Blue Origin, a Nasa teria avaliado erroneamente as propostas, julgando mal suas vantagens e minimizando os desafios técnicos e riscos do projeto da SpaceX. A agência espacial poderia ter optado por entregar a missão a duas empresas, como inicialmente planejado.

Uma terceira companhia, chamada Dynetics, participou da concorrência —e também entrou com um protesto. A Nasa ainda não comentou o assunto. A SpaceX também não se manifestou oficialmente.

O governo tem até cem dias para tomar uma decisão a respeito das contestações.

Competição pela Lua

Composto por diversas missões, o projeto Artemis da Nasa, quer levar astronautas novamente à Lua até 2024. Também pretende construir uma base lunar e abrir caminho para pisarmos em Marte. Se tudo der certo, será a primeira vez que um humano caminhará em nosso satélite desde 1972, quando aconteceu a última missão tripulada do projeto Apollo.

A agência lançou uma competição entre empresas privadas para o desenvolvimento de novas naves para o pouso (lander). Foram selecionados três projetos: da SpaceX, da Blue Origin e da Dynetics. Após quase um ano de análises, para decidir qual teria sua construção financiada, o vencedor foi anunciado este mês.

O principal objetivo da terceirização é reduzir os custos da missão, que foram altíssimos durante a corrida espacial com a União Soviética na Guerra Fria. A empresa escolhida, ou até duas delas em cooperação, ficaria responsável pelo design, construção e operação do lander.

A proposta da Blue Origin foi uma colaboração com outras três companhias aeroespaciais: Lockheed Martin, Northrop Grumman e Draper. O veículo concebido parece uma versão maior do que foi usado nas missões Apollo nos anos 60 e 70.

Já a SpaceX foi mais ousada. Propôs adaptar sua nave gigante Starship, que está sendo construída para viagens a Marte e já tem protótipos em fase de testes, alguns um tanto quanto explosivos.

Um dos motivos da escolha de uma única empresa foram as verbas limitadas que a agência espacial norte-americana tem enfrentado nos últimos anos. A tecnologia de Musk já está mais adiantada e custaria menos; a proposta da Blue Origin era de US$ 6 bilhões, mais que o dobro do apresentado pela SpaceX.

Entre as justificativas da companhia de Bezos para o preço mais alto estão a redundância de orientação e navegação, e um moderno sistema de comunicações, que teriam sido considerados como pontos fracos pela Nasa.

As avaliações da agência foram: aspectos técnicos ("aceitável" para Blue Origin e SpaceX e "marginal" para Dynetics), e gestão ("excelente" para SpaceX e "muito bom" para Blue Origin e Dynetics).