PARATY EM MÚSICA E POESIA

Foto: Débora Bedin |

Foto:
Débora Bedin |
Escutar as músicas de Luís Perequê dá
uma saudade dolorida do mar, das casas históricas, de tudo
o que remete a Paraty.
O ritmo do violão, das palmas e de sua voz dá vida
à poesia. O cotidiano do caiçara, povo tradicional
que ainda vive em alguns trechos da costa, faz parte da sua história
de vida e é a maior fonte de inspiração que
poderia ter encontrado.
Muitas de suas músicas, porém, não são
apenas odes à vida simples do pescador, do roceiro, ou da
paisagem à beira do mar. São também críticas
aguçadas à pressão negativa do homem sobre
o litoral. Sobretudo a especulação imobiliária,
que acabou atropelando algumas tradições locais e
contribuindo para a devastação do meio ambiente.
Afinal, o filho de caiçara (ou de tropeiro, como ele mesmo
se define) viu sua região crescer de repente, na década
de 1970, com a chegada da estrada Rio-Santos, rasgando o que antes
era um dos trechos mais intransponíveis da Serra do Mar.
Na época, a comunicação entre os povoados de
Paraty eram precárias picadas no lombo de burro ou as canoas
que seguiam pela baía. Como nas letras de suas músicas,
até o jeito de falar era um pouco diferente.
O então tímido Luís vivia na roça, entre
o mar e a montanha, onde ficou até os 16 anos. Já
gostava de poesia e foi embalado pela efervescência musical
que o Brasil vivia na época. Era tempo de Caetano, de Gil,
de Milton Nascimento, tempo também que Paraty virou ícone
cult por ser uma cidade velha e carregada de história na
beira da praia.
O primeiro CD, Encanto Caiçara, só veio em 1992. Também
participou da criação de um CD com os cirandeiros
de Ubatuba (um grupo tradicional do litoral Norte paulista) e outro
de canções em homenagem à Mata Atlântica.
Perequê ainda não gravou suas novas composições,
mas garante ter material suficiente para mais de 10 CDs. Engana-se
quem pensa que o poeta abandonou o desejo de expressar a sua gente
e a sua paisagem.
Ele está investindo suas forças e idéias no
Silo Cultural José Kleber, uma espécie de centro cultural
próximo à entrada da cidade e à Rio-Santos.
Um grande galpão de madeira foi erguido com o material de
um paiol desmontado em uma antiga fazenda mineira. O espaço
é grande e já abriga aulas de dança ministrada
por Vanda, sua esposa bailarina.
O nome, silo cultural, vem das expectativas de Perequê em
relação aos projetos culturais que podem surgir e
se desenvolver por lá. "Aqui vai ser um verdadeiro depósito
de sementes de boas idéias e iniciativas", explica.
É também homenagem a um amigo que contribuiu para
a sua inspiração.
Seu objetivo é desenvolver projetos de resgate da cultura
caiçara promovendo espetáculos, exposições,
oficinas de arte envolvendo crianças, cidadãos de
outras quebradas litorâneas. Tudo para não deixar para
trás a rica identidade cultural caiçara que vem se
perdendo.
O Silo Cultural José Kleber fica na Rua Ribeirinho, bairro
Vila Dom Pedro (acesso pela entrada de Paraty na Rio-Santos). O
telefone de contato é 0xx24-9915-3950.
Quem quiser adquirir o Cd Encanto Caiçara pode entrar em
contato com o próprio autor no Silo Cultural. Também
está à venda na Nhandeva, no Centro Histórico
de Paraty (R. Da Matriz, 7).
|