Reuters
12/07/2002 - 15h05

George Michael diz temer a volta aos EUA após ter feito críticas a Bush

da Reuters, em Londres

O cantor George Michael diz acreditar que sua vida correria perigo se ele retornasse aos Estados Unidos, após o ultraje provocado no país por seu single mais recente, que ridiculariza a "guerra ao terror" liderada pelos EUA.

Em entrevista a ser transmitida na noite desta sexta-feira pela emissora britânica ITV, Michael disse que um artigo sobre ele publicado pelo "The New York Post" sob o título "Pervertido do pop lança calúnia sobre 11/9", seguido por uma entrevista desastrosa à CNN na qual ele tentara limitar os danos, impossibilitaram seu retorno ao país.

"Eu estava tentando controlar os danos, porque minha vida estava correndo perigo. Os americanos andam muito reacionários neste momento, e eu, por causa do artigo, não posso voltar aos EUA, embora meu parceiro viva no país", disse o cantor à ITV.

O single "Shoot the Dog" zomba da reação dos EUA aos ataques de 11 de setembro e da "relação especial" existente entre os Estados Unidos e o Reino Unido.

O videoclipe mostra o premiê britânico, Tony Blair, como um poodle que é acariciado pelo presidente americano, George W. Bush, no gramado da Casa Branca.

Em um verso da canção, Michael canta: "Gente, vocês viram aquele incêndio na cidade? / É como se tivéssemos acabado de sair do democrático / Tá na hora de você arrumar um semi-automático".

O cantor afirmou que não é antiamericano e atribuiu sua impopularidade nos EUA ao fato de ele ser gay e de ter sido preso em 1998 depois de expor-se diante de um policial.

"Não é um ataque ao povo americano, que eu respeito muito", disse ele. "Mas, por algum motivo, não tenho o direito de falar de nada, só porque fui flagrado num banheiro de Los Angeles com um policial, quatro anos atrás."

"Shoot the Dog" não será lançado nos EUA porque o cantor não tem acordo com nenhuma gravadora americana.

 

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