Cardeal de Boston defende sua atuação em caso de pedofilia
da Reuters, em BostonO cardeal de Boston, Bernard Law, só soube em 1993 das acusações de abuso sexual feitas contra o padre Paul Shanley, um dos pivôs do escândalo de pedofilia a atingir a Igreja Católica norte-americana, disse o próprio cardeal em uma carta.
No documento, que contém os comentários mais substanciosos de Law sobre o escândalo de abuso sexual na arquidiocese de Boston, o cardeal afirma não ter tido motivo para duvidar da qualidade dos padres da região quando assumiu seu cargo, em 1984.
"Diante de Deus, garanto que meu primeiro contato com as acusações de abuso sexual contra esse padre (Shanley) aconteceu em 1993", disse Law na carta endereçada a seus fiéis.
A carta de três páginas, reproduzida pelo jornal Boston Globe hoje, pareceu uma tentativa de Law de fornecer uma explicação palatável para sua atuação na crise e, especificamente, no caso Shanley.
Shanley foi detido sob a acusação de ter abusado de uma criança, algumas vezes no confessionário, durante os anos 80. Ele foi acusado em ações civis de indenização de ter abusado de mais de 20 crianças durante as três décadas em que atuou como padre na área de Boston.
Law vem sendo duramente criticado por ter permitido que Shanley e um outro padre continuassem a atuar como padres mesmo depois de, segundo documentos apresentados à Justiça, ter sido informado das acusações de abuso feitas contra os religiosos.
As primeiras acusações contra Shanley datam dos anos 60.
Depois de 1993, Shanley não atuou mais como padre, mas teve um emprego, com a aprovação da arquidiocese, em um albergue ligado à igreja na cidade de Nova York.
A carta de Law, a mais recente de uma série de desculpas apresentadas pelo cardeal, parece tentar atribuir parte da culpa no caso Shanley aos antecessores dele no cargo.
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