Lúcio Ribeiro
04/09/2002
Oi!
Frio?
Dave Grohl, o cara mais gente fina do rock mundial (e com o maior currículo também) fala à coluna, a revista inglesa "Kerrang" copiou na cara dura a nossa (?) "Revista da MTV", o rock está de volta segundo a "Rolling Stone", os Beatles mentiram, mais e mais sobre calcinhas, uma sobre cuecas, um recorde, a bananeira, uma deusa e outros papinhos. Tudo vai estar desta linha para baixo.
Só não sei se vou conseguir tratar de tudo de uma tacada só. Vamos ver?
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INSÔNIA OU SONO DEMAIS
Filmaço em cartaz, "Insônia" é dirigido pelo chapa "Christopher Nolan", o cineasta que nos deu o espertíssimo "Amnésia".
No filme ("Insônia", não "Amnésia"), o herói da história, um policial, Al Pacino, não tão herói assim, mais ou menos herói na verdade, nada herói para ser sincero, se encontra em uma cidade do Alaska cujo Sol nunca se põe. E com muita luz, sabe-se, não tem onde se esconder.
O cara tenta resolver um crime, mas começa a se enrolar em equívocos e mentiras. Não consegue dormir, porque a luz (da verdade?) cada vez o incomoda mais. E mais e mais. E, quanto mais ele se cansa, mais vai se afundando em equívocos, mais vai se enrolando, mais vai ficando fraco, e mais a luz vai ficando forte (para ele). Até que uma hora...
Não sei se estou viajando no paralelo, mas se você substituir o Pacino pela cena cultural brasileira (VMB, rádios rock, publicações, ou a falta de...) e botar a atual fase da música pop no lugar da luz do Alaska, dá para pensar em uma versão nacional para o filme. E com um final idêntico.
Bobagem minha?
* Por exemplo: esta coluna, que não é lá muita coisa e costuma falar (quase) sempre das mesmas meia dúzia de bandas, conseguiu atrair nesta semana cerca de 820 e-mails, o recorde do ano disparado. Tudo por causa de Coldplay e Vines, principalmente, duas bandas das do tipo que não costumam ser bem tratadas no país dos banguelas. Sono eterno?
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OLHOS ABERTOS
Já que estou no embalo, algumas recomendações cinematográficas: se você não tiver realmente nada para fazer, gaste uma hora e pouco assistindo a "Jay e Silent Bob - O Império do Besteirol Contra-Ataca", do pirado Kevin Smith. De tão imbecil, acaba sendo legal. É uma espécie de Beavis & Butt-Head de verdade, mas "analisando" cinema, não música.
* Na próxima sexta-feira estréia "Sinais", este sobre contatos imediatos do terceiro grau. Ainda não consegui decidir se gostei muito ou pouco, mas, como é do ótimo diretor M. Night Shyamalan ("O Sexto Sentido"), vale ver como o cara monta uma história estrambólica para falar sobre as mínimas coisas.
* Outro que entra em cartaz na próxima sexta é "O Triplo X", aventuraça (dizem, não assisti) com o ator-da-hora em Hollywood, Vin Diesel, sujeito que estaria acelerando a aposentadoria de pesos pesados como Schwarzenegger e Bruce Willis, pelo que corre. A recomendação de "O Triplo X", sem ver o filme, é por causa de Asia Argento, filha do grande diretor italiano Dario Argento.
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ROUPAS DE BAIXO
Sobre a sublimação no trato das calcinhas pretas por parte das moças inglesas, assunto abordado aqui na semana passada como destaque de "moda", vale o registro de que a "onda" chega agora a Nova York. As primeiras foram vistas no show do Yeah Yeah Yeahs, no último final de semana. E não eram necessariamente pretas. O clique é de Marco Lockmann, correspondente nova-iorquino desta coluna. Seja meu convidado.
* Mas aí vem o Rio de Janeiro, sempre ele, e faz melhor. Fui informado de que, por lá, funciona assim: na praia, as meninas sobem bastante o biquíni, para que a marca solar fique um pouco acima do, er, "padrão conhecido de marcas de biquíni". Aí, depois, nas baladas, usam a calça láááááá embaixo.
* CUECAS - Estava lendo dia destes em um dos jornais ingleses que eu trouxe. Fizeram uma pesquisa bizarra recentemente no Reino Unido para apurar o nível de nojeira a que está habituado o cidadão britânico masculino. Entre alarmantes números de pum e dedos no nariz, ganhou um estudo especial na matéria: apenas 3% dos entrevistados trocam a cueca diariamente ou de dois em dois dias na Inglaterra e arredores.
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MISS KITTIN NO BRASIL
Marcadíssima para o Réveillon a vinda da musa do electro Miss Kittin ao Brasil, para uma apresentação no Rio de Janeiro e, quiçá, uma em São Paulo. A mulher é um furacão, o som dela é de excitar assexuados e o melhor a fazer é ficar de olho nas confirmações de datas e locais para não perder essa. A FNM deve lançar em breve o álbum de Kittin com o The Hacker, seu parceiro.
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O ROCK ESTÁ DE VOLTA
A atual edição da revista americana "Rolling Stone" proclama em sua capa: "Rock Is Back". Traz uma foto estourada da banda australiana The Vines e pede a atenção também para The Strokes, White Stripes e o de sempre. Assunto velho, mas é bom ver que está contaminando o mainstream.
A chamada para a matéria do Vines na "RS" é ótima: "Craig Nicholls has all the makings of a rock star: good looks, great songs, serious mental problems. Now if he can just live through the night".
* Deu para notar, os jornalistas pop americanos estiveram nos últimos tempos na Inglaterra e principalmente no Reading Festival, prestando uma atenção maior que a de costume ao que os ingleses andam falando. A "Rolling Stone" tem um grande material fotográfico em seu site sobre o festival britânico.
* O poderoso "New York Times" trouxe na capa de seu caderno "Fashon & Style", na edição-calhamaço de domingo último, um vasto artigo sobre o Reading Festival. É aquela coisa de americano, tentando analisar psico e sociologicamente que tipo de gente vai ao festival, qual sua importância para a economia mundial pós-11 de Setembro, essas paradas. Mas é divertido de ler. O autor, pelo menos, percebeu que tem cheiro do novo no ar. Disse que essa recém-acabada edição do Reading foi a que mais se aproximou da de 1992, que registrou a explosão galáctica do Nirvana e tal, o que parece ser a última banda-referência do articulista. Mas o texto vale a visita, de qualquer forma.
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MTV (A DOS EUA) COMPROVA
E aí o White Stripes, banda incomum para o rock standard, blues-punk gritado, guitarra insana suportada por uma baterista que enrosca a baqueta no cabelo na hora de tocar, vence quatro prêmios do VMA, a versão "a sério" do VMB daqui. O grupo do guitar hero Jack White só perdeu (4 x 3 prêmios) em destaque para o astro Eminem, vizinho rico de Detroit.
Na noite da premiação, que aconteceu semana passada em Nova York, dois destaques da noite foram as performances sequênciais dos suecos Hives ("Main Offender") e dos supracitados Vines ("Get Free").
* NA TV - A MTV Brasil passa o VMA americano nesta sexta-feira, dia 6, às 22h. Sábado, às 8h20, tem reapresentação. No domingo, mais duas.
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MAIS READING FESTIVAL
Duas últimas do maior evento pop do mundo, que aconteceu no último final de semana de agosto, na Inglaterra.
* A "New Musical Express" fez a lista das músicas que "abalaram" o megaevento. Aí vai a relação, que serve de bússula para quem procura canções legais na internet. Está na ordem de abalo sísmico e inclui apresentações em Leeds, no mesmo final de semana, onde acontece o festival-irmão menor do Reading.
1 - "Last Nite", Strokes
2 - "Welcome to the Jungle", Guns N'Roses
3 - "Get Free", The Vines
4 - "Whatever Happened to My Rock'N'Roll", Black Rebel Motorcycle Club
5 - "What a Waster", Libertines
6 - "Aka IDIOT", Vines
7 - "Soldier Girl", The Polyphonic Spree
8 - "Hotel Yorba", White Stripes
9 - "Stacked Actors", Foo Fighters
10 - "Take the Long Road and Walk It", The Music
11 - "In Love", The Datsuns
12 - "Cat Claw", The Kills
** Confira a atmosfera cool do Reading 2002, em foto do nova-iorquino Lockmann, que também estava no no festival inglês, No fundo, lá no palco, o White Stripes mandando bala.
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TESES BRAZUCAS
Duas matérias incríveis no Globo de segunda-feira desmistificadoras, tentando provar o improvável. Só parei no título, porque não deu tempo de ler. Mas ainda assim arrisco dizer que devem ser elucidativas. São elas:
* "Filme francês não é chato como se diz"
* "Coldplay é apenas uma banda legal".
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ERREI
Na semana passada, tirei um pêlo da horrenda música "Bananeira", mas errei na letra. Não é "Bananeira não sei, bananeira sei lá", que é cantado. E sim "Bananeira não sei, bananeira SERÁ". Agora fez sentido. A letra ficou até mais bacana.
* A música é de João Donato, musico acima do bem e do mal, segundo defendem amigos nos quais eu boto fé. A letra é de Gilberto Gil. Continuo achando de uma "beleza" sem igual. Está no disco da Bebel Gilberto, esse "Tanto Tempo", que é hypado em Londres. Por isso que o pobre rapaz em Camden Town tava tocando sem parar, tipo oito vezes em meia hora. Queria faturar um troco honesto em cima da versão "diferente". Pelo menos.
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LANÇAMENTOS LEGAIS
* Ainda não chegou, mas vai, nesta semana, o lançamento brasileiro do disco "Yankee Hotel Foxtrot", da bandaça americana Wilco. Lindo, lindo.
Álbuns que tem duas músicas iniciais como as de "YHF", que são "I Am Trying to Break Your Heart" e "Kamera", mereceria vender um milhão de cópias no Brasil. Não apenas 200, como vai. Confira o item promoção da semana.
* A Zomba Records faz a proeza de lançar no país o bacanudo disco de remixes das canções da seminal banda Stone Roses, de Manchester. Chama... "The Remixes". Traz gente/grupo como Grooverider, Jon Carter, Utah Saints, 808 State e Paul Oakenfold fuçando em clássicos do grupo que inventou o britpop, o indie dance e o escambau. Versão do clássico "Fools Gold" com o Grooverider é tudo.
* A Sony edita por aqui o ótimo DVD "More Than Us", material ao vivo do grupo escocês Travis, produzido durante vibrante show do simpatissíssimo grupo em casa, Glasgow, no ano passado.
Tem 18 músicas, documentário, câmeras legais. E termina com "Happy", que já vale o preço.
* A Trama faz a gentileza, o cavalheirismo, a fineza de lançar entre nós o último Jon Spencer Blues Explosion, "Plastic Fang". A versão nacional vem com uma bela faixa extra: "Do Ya Wanna Get It?".
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MIL TOQUES
* Mais The Vines (a última): na semana anterior ao Reading, a banda australiana liderada pelo demente Craig Nicholls, fez explosiva apresentação no famoso programa de entrevista do David Letterman, da CBS americana. Tocaram o hino "Get Free", Craig destruiu a guitarra na bateria, deu cambalhota no sofá do Letterman. Boquiaberto, o apresentador olhou para seus músicos de apoio e perguntou: "Vocês estão todos bem?".
No site da CBS dá para ver a performance, mas as estripulias de Nicholls estão cortadas. No endereço http://directory.google.com/top/arts/television/programs/dramas/24 tem a versão completa.
* Falando em clipe, o site www.qotsa.com, a casa virtual do Queens of the Stone Age, talvez a melhor banda do mundo hoje, proporciona a exibição do vídeo de "No One Knows", o primeiro single a ser extraído do novo álbum. Com Dave Grohl na bateria, efeitos extrabacanas e uma historinha linda do atropelamento de um veado vingador. Não dá para não ver logo.
* Beth Gibbons, cantora do Portishead e dona de uma das vozes mais dilacerantes da música, solta disco solo no dia 28 de outubro, na Inglaterra. Mas garante que não saiu de sua adorada banda, que prepara eterno disco novo.
* O indie-hero Márcio Custódio, ex-DJ Club, estréia novos projetos na Rabo de Saia, casa paulistana que agora passa a se chamar Plastic Fantastic (Morato Coelho, 575, Vila Madalena). Na sexta é anos 80 e no sábado, indie. Estréia sábado agora.
* Falando em casas paulistanas, pelas informações que eu tenho recebido o bicho está pegando na Funhouse (Bela Cintra, 567, Jardins). Ainda não consegui ir ao lugar.
* A cena indie se movimenta por todos os cantos. No Rio, o site London Burning (.com.br) arma festival beneficente neste sábado e domingo, para comemorar seu quarto aniversário. O evento se chama London Burning Gosta de Crianças e junta grupos de diversos cantos do Brasil, do gaúcho Winston ao baiano Soma. O site do LB tem todas as informações e a lista completa dos shows. Se você mora no Rio e está a fim de ir, escreva para lucio@uol.com.br. Vou sortear dois convites VIPs e aviso por e-mail, no sábado, quem via de graça ao festival.
* Em Minas Gerais, a internacional Motor Music comanda de quinta (5) a sábado (7) o festival Indie Rock Brasil, que toma de assalto o A Obra, no bairro Savassi. Tem MQN (GO), Walverdes (RS), Pelvs (RJ) e muito mais. Os detalhes todos estão no www.motormusic.com.br.
* A roqueira Goiânia prepara para a semana que vem (de 13 a 15) o Goiânia New Underground, festival de três noites e 15 bandas que é primo do Bananada e do Goiânia Noise.
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PROMOÇÃO DA SEMANA
Toma lá. Quem mandar e-mail para lucio@uol.com.br, discriminando o prêmio de preferência, corre o risco de faturar.
* Coldplay novo - Mais uma cópia de "A Rush of Blood to the Head", belíssimo álbum da agora megabanda britânica.
* Wilco, "Yankee Hotel Foxtrot" - versão americana do excelente álbum do grupo de Jeff Tweedy. Você sabe: Jeff Tweedy é Deus. Ainda não peguei na mão a versão brasileira, portanto não sei a diferença desta americana para a nacional.
* Pacote Gorillaz - liberado pela EMI, uma sacolinha Gorillaz que contem uma caneca style, mais uma embalagem dupla especial de divulgação que agrupa o CD "G Sides", a coletânea de lados B (G?) do Gorillaz, mais o CD "Laika Come Home", que consiste na divertida versão reggae de todas as músicas do álbum do Gorillaz, orquestrada pelos Spacemonkeyz.
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RESULTADO DAS PROMOÇÕES
(da semana passada e retrasada)
* Pacote Coldplay (CD novo + vídeo de show MTV EUA)
Paulo Rodrigues de Oliva
São Paulo, SP
* CD "Highly Evolved", do Vines
Carina M. Mastrantonio
Recife, PE
* camiseta do Reading Festival 2002
Lilian P.
Rio de Janeiro, RJ
* "NME", edição que tem o especial do Reading
Ângelo Fabrício da Rosa
Gravataí, RS
* Cópia em CD do Nirvana raro, "Rio Session"
Leandro Moura
Ribeirão Preto, SP
* revista "Q"- especial Oasis
Marcella Terezinha Atild
Porto Alegre, RS
Obs.: os prêmios serão enviados a partir de segunda-feira.
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PAPO COM DAVE GROHL
O texto abaixo saiu na Ilustrada, Folha, na segunda-passada. Teve uma versão beeeeeeeem mais enxuta, para que coubessem todos os elementos do "assunto Dave Grohl", que envolviam Foo Fighters/Nirvana/Queens of the Stone Age/Reading Festival.
Coisas do dia-a-dia em jornal. De qualquer modo, a entrevista foi longa e saborosa qualquer que fosse o tema tratado. Nestes anos todos operando na música pop, já entrevistei muitos rockers famosos ou não, indies ou de megabandas. Disparado, Grohl é um dos mais bacanas, mesmo tendo o currículo que tem. Enfim, eis o texto:
Quero ser Dave Grohl
Se a vida de alguma estrela do rock fosse filmada hoje, em uma produção talhada nos moldes do bem-sucedido "Quero Ser John Malkovich", Grohl seria o cara ideal para figurar no título. Há tempos, sabe-se, ele é um dos grandes nomes do pop mundial. Mas sua fase corrente é de causar inveja a Noel Gallagher.
Não bastasse carregar a eterna láurea de ter integrado o fenomenal Nirvana nos anos 90, Dave Grohl (1) comandou nos últimos dias a grande volta à ativa do popularíssimo Foo Fighters em apresentações gigantes pelo Reino Unido; (2) é atual membro da explosiva banda Queens of the Stone Age, que acaba de lançar seu celebrado terceiro álbum; e (3) está prestes a fechar um acordo com Courtney Love, viúva de Kurt Cobain, para que uma esperada caixa comemorativa de seu lendário ex-grupo chegue finalmente às lojas.
"Há mais de um ano que eu não consigo passar três dias seguidos em casa. Mas não tenho do que reclamar. Adoro essa vida", afirmou Grohl em entrevista à Folha no lendário clube Astoria, em Londres, logo após a passagem de som para a apresentação que faria horas depois e cujos ingressos evaporaram das bilheterias em minutos.
Guitarrista e vocalista do Foo Fighters (e baterista do QOTSA, revivendo sua função no Nirvana), Grohl esteve à frente de seu grupo no principal show da noite de sábado (último dia 24) do Reading Festival, considerado o maior evento pop do planeta.
"A gente não tocava por aqui há tempos e o precisava ser bom, como foi. Estávamos vibrantes, o público, excitado. A química foi perfeita. Tocar no Reading é sempre especial. Se você faz um bom show, será sempre lembrado por ele. Se a apresentação for um desastre, isso vai perseguir a banda como se fosse uma maldição. Vira um estigma que custa muito ou nunca será superado. É como uma maldição", afirmou o roqueiro.
"Foi a minha sexta vez no Reading, duas com o Nirvana e quatro com o Foo Fighters. E ainda assim dá para tremer quando você sobe naquele palco, diante de umas 60 mil pessoas", contou Grohl.
"Foi a primeira com o Foo Fighters como a atração principal do dia. Qual eu mais gostei? Esta última, a de anteontem. Mas todas tiveram sua importância. Lembro que, quando o Nirvana foi o headliner de 1992, tanto eu quanto o Kurt (Cobain) e o Krist (Novoselic) estávamos tão nervosos que passamos mal, momentos antes de entrar no palco. Lembro o Krist dizendo. 'Esse é o show mais importante de nossas vidas'.", recordou Dave, que estreou nos festivais europeus quando o Nirvana apareceu aos ingleses, na edição de 1991 do tradicional Reading.
Lembrado pela reportagem que o Foo Fighters tocou em 2001 para um público pelo menos três vezes maior no Brasil, no Rock in Rio 3, Dave Grohl mostrou boa recordação daquela noite de janeiro.
"Era meu aniversário, lembra? Estava bem nervoso naquele dia. Era nosso primeiro show no Brasil [Dave tocou em 93 no país, com o Nirvana] e eu não sabia que aquele público enorme sabia de nossas músicas, conhecia nossa banda", falou Grohl.
"Aí, um pouco antes de entrarmos no palco, mostraram nos telões um pedaço do clipe de 'Breakout'. E ouvimos aquela platéia imensa cantando a canção. Lembro que a música vinha como um rugido estrondoso até o backstage, onde estávamos. Olhamos um para a cara do outro e eu disse: 'Vamos lá. Eles nos amam'. Depois de uma apresentação daquela poderíamos tocar para qualquer público no mundo, senti naquela noite."
No Reading deste ano, o Foo Fighters começou seu show com a furiosa "All My Life", música nova que deve abrir o próximo CD da banda, "One by One",que terá lançamento mundial no final de outubro.
Dave já começou a tocar a música ainda fora do palco, que estava escuro antes de a banda entrar. Parecia que alguém só estava afinando a guitarra.
Mas aí veio Dave, puxando o grupo, guitarra em punho, executando acordes repetitivos. Parou na frente do palco, sempre tocando, e ficou olhando para a platéia, que estava aos urros. O grupo se posicionou, seguiram Dave na música, e lá estava o velho e bom Foo Fighters estremecendo o festival.
"All My Life", que chega às lojas 20 dias antes como single, é agridoce como toda boa música do Foo Fighters. Alterna momentos calmos e outros de uma explosão de guitarras ensurdecedoras. O público adorou.
"O novo disco é menos variado que os anteriores. É direto, agressivo. Estamos muito felizes com a forma que ele tomou. O álbum foi se formando naturalmente. Tínhamos uma lista grande de músicas novas a experimentar no estúdio, para compor o disco. Aí sobraram essas 11, 12, que acabaram fazendo do CD um disco pesado, punk."
Dave Grohl deixou claro que o Foo Fighters nunca esteve próximo do fim, mesmo com algumas divulgadas desavenças entre os membros da banda e sua participação paralela, como baterista integrado ao poderoso grupo californiano Queens of the Stone Age.
"O Foo Fighters é a coisa que eu mais gosto na vida. Nunca vou deixar essa banda acabar. O Oasis são os caras que mais brigam no rock e até hoje estão aí, firmes. E nossas discussões jamais tiveram as dimensões dadas a elas. Aliás, nem lembro quais foram essas desavenças.
"Sobre o Queens of the Stone Age, sou amigo do Nick e do Josh há muito tempo. E sempre adorei o grupo. Quando me chamaram, falei: 'Por que não?'", falou Dave, agora como baterista.
"Gravamos o disco há um ano, já. Diverti-me muito tocando com eles, também. A banda é sensacional, sempre abriram shows para o Foo Fighters. Grandes caras. Ainda nem vi o disco pronto.
Como tinha acabado de comprar o CD "Songs for the Deaf", do QOTSA, que tinha sido lançado na segunda-feira da entrevista em Londres, mostrei o disco a Grohl. Daí, a entrevista foi interrompida por dez minutos, para Dave manusear o CD da banda da qual também faz parte.
"Cara, ficou bonito, olha o papel [plastificado] do encarte. O Stone Age é mesmo uma megabanda agora", se encantou o roqueiro, que ainda tirou um sarro dos amigos Josh e Nick. "Os caras põem na contracapa do CD um aviso de que há uma música escondida ["Mosquito Song", hidden track]. Mas se está no encarte, já não é mais escondida", gozou.
Quando a entrevista foi retomada, era hora de falar de Nirvana.
Sobre a tal aguardadíssima caixa comemorativa de seu ex-grupo, que há muito tempo o mundo do rock está à espera e que conterá material ao vivo e inédito, Grohl tranquiliza a legião de fãs do Nirvana, quase tão viúvos de Kurt Cobain (1967-1994) quanto a própria Courney Love, que foi à Justiça para impedir o lançamento da edição especial do grupo que mudou o pop na década passada.
"A caixa está a caminho. Está tudo se ajeitando para que esse material chegue logo às lojas, mas é difícil ainda precisar uma data certa, por tudo o que ela envolve. Mas vai sair em breve, pode escrever", revelou Dave Grohl.
A respeito da famosa "Rio Session", aquela sessão de gravação do Nirvana, realizada em um estúdio no Rio de Janeiro em 1993, que foi parar na internet (coluna retrasada), Grohl mostrou-se surpreso.
"Pois é. Um amigo me contou hoje, por e-mail. O 'Ïn Utero' nasceu no Brasil. Kurt havia escrito algumas canções e arrumamos um estúdio legal no Rio. Gravamos várias demos. Mas nem lembro quais eram. Nunca mais ouvi essa fita, depois", contou.
Para quem não lembra, na histórica passagem do Nirvana pelo país em 1993, para estrelar o Hollywood Rock (SP e Rio) daquele ano, Cobain, Grohl e Novoselic gravaram algumas demos do que seria o futuro álbum do grupo, "In Utero", sucessor do antológico "Nevermind".
A BMG brasileira disse que a banda levou consigo, na época, todo o material gravado.
Faz parte da "Rio Session", a canção "Miss World", com Courtney Love na guitarra/vocal e Cobain no baixo. A música entrou no álbum "Live through This", ótimo CD do Hole (banda de Love), de 1994.
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BEATLES MENTINDO E REVISTA DA MTV vs. KERRANG!
Os Beatles ficam para a próxima coluna, que esta já está muuuuuuuuito grande. Sobre a pendenga das revistas, desencanei. Você vai estar por aí na semana que vem? Dê uma passada por aqui.
Até mais
Stay gorgeous.
Acorda!
"She never loved me, she never loved me"Oi!
Frio?
Dave Grohl, o cara mais gente fina do rock mundial (e com o maior currículo também) fala à coluna, a revista inglesa "Kerrang" copiou na cara dura a nossa (?) "Revista da MTV", o rock está de volta segundo a "Rolling Stone", os Beatles mentiram, mais e mais sobre calcinhas, uma sobre cuecas, um recorde, a bananeira, uma deusa e outros papinhos. Tudo vai estar desta linha para baixo.
Só não sei se vou conseguir tratar de tudo de uma tacada só. Vamos ver?
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INSÔNIA OU SONO DEMAIS
Filmaço em cartaz, "Insônia" é dirigido pelo chapa "Christopher Nolan", o cineasta que nos deu o espertíssimo "Amnésia".
No filme ("Insônia", não "Amnésia"), o herói da história, um policial, Al Pacino, não tão herói assim, mais ou menos herói na verdade, nada herói para ser sincero, se encontra em uma cidade do Alaska cujo Sol nunca se põe. E com muita luz, sabe-se, não tem onde se esconder.
O cara tenta resolver um crime, mas começa a se enrolar em equívocos e mentiras. Não consegue dormir, porque a luz (da verdade?) cada vez o incomoda mais. E mais e mais. E, quanto mais ele se cansa, mais vai se afundando em equívocos, mais vai se enrolando, mais vai ficando fraco, e mais a luz vai ficando forte (para ele). Até que uma hora...
Não sei se estou viajando no paralelo, mas se você substituir o Pacino pela cena cultural brasileira (VMB, rádios rock, publicações, ou a falta de...) e botar a atual fase da música pop no lugar da luz do Alaska, dá para pensar em uma versão nacional para o filme. E com um final idêntico.
Bobagem minha?
* Por exemplo: esta coluna, que não é lá muita coisa e costuma falar (quase) sempre das mesmas meia dúzia de bandas, conseguiu atrair nesta semana cerca de 820 e-mails, o recorde do ano disparado. Tudo por causa de Coldplay e Vines, principalmente, duas bandas das do tipo que não costumam ser bem tratadas no país dos banguelas. Sono eterno?
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OLHOS ABERTOS
Já que estou no embalo, algumas recomendações cinematográficas: se você não tiver realmente nada para fazer, gaste uma hora e pouco assistindo a "Jay e Silent Bob - O Império do Besteirol Contra-Ataca", do pirado Kevin Smith. De tão imbecil, acaba sendo legal. É uma espécie de Beavis & Butt-Head de verdade, mas "analisando" cinema, não música.
* Na próxima sexta-feira estréia "Sinais", este sobre contatos imediatos do terceiro grau. Ainda não consegui decidir se gostei muito ou pouco, mas, como é do ótimo diretor M. Night Shyamalan ("O Sexto Sentido"), vale ver como o cara monta uma história estrambólica para falar sobre as mínimas coisas.
* Outro que entra em cartaz na próxima sexta é "O Triplo X", aventuraça (dizem, não assisti) com o ator-da-hora em Hollywood, Vin Diesel, sujeito que estaria acelerando a aposentadoria de pesos pesados como Schwarzenegger e Bruce Willis, pelo que corre. A recomendação de "O Triplo X", sem ver o filme, é por causa de Asia Argento, filha do grande diretor italiano Dario Argento.
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ROUPAS DE BAIXO
Sobre a sublimação no trato das calcinhas pretas por parte das moças inglesas, assunto abordado aqui na semana passada como destaque de "moda", vale o registro de que a "onda" chega agora a Nova York. As primeiras foram vistas no show do Yeah Yeah Yeahs, no último final de semana. E não eram necessariamente pretas. O clique é de Marco Lockmann, correspondente nova-iorquino desta coluna. Seja meu convidado.
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* Mas aí vem o Rio de Janeiro, sempre ele, e faz melhor. Fui informado de que, por lá, funciona assim: na praia, as meninas sobem bastante o biquíni, para que a marca solar fique um pouco acima do, er, "padrão conhecido de marcas de biquíni". Aí, depois, nas baladas, usam a calça láááááá embaixo.
* CUECAS - Estava lendo dia destes em um dos jornais ingleses que eu trouxe. Fizeram uma pesquisa bizarra recentemente no Reino Unido para apurar o nível de nojeira a que está habituado o cidadão britânico masculino. Entre alarmantes números de pum e dedos no nariz, ganhou um estudo especial na matéria: apenas 3% dos entrevistados trocam a cueca diariamente ou de dois em dois dias na Inglaterra e arredores.
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MISS KITTIN NO BRASIL
Marcadíssima para o Réveillon a vinda da musa do electro Miss Kittin ao Brasil, para uma apresentação no Rio de Janeiro e, quiçá, uma em São Paulo. A mulher é um furacão, o som dela é de excitar assexuados e o melhor a fazer é ficar de olho nas confirmações de datas e locais para não perder essa. A FNM deve lançar em breve o álbum de Kittin com o The Hacker, seu parceiro.
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O ROCK ESTÁ DE VOLTA
A atual edição da revista americana "Rolling Stone" proclama em sua capa: "Rock Is Back". Traz uma foto estourada da banda australiana The Vines e pede a atenção também para The Strokes, White Stripes e o de sempre. Assunto velho, mas é bom ver que está contaminando o mainstream.
A chamada para a matéria do Vines na "RS" é ótima: "Craig Nicholls has all the makings of a rock star: good looks, great songs, serious mental problems. Now if he can just live through the night".
* Deu para notar, os jornalistas pop americanos estiveram nos últimos tempos na Inglaterra e principalmente no Reading Festival, prestando uma atenção maior que a de costume ao que os ingleses andam falando. A "Rolling Stone" tem um grande material fotográfico em seu site sobre o festival britânico.
* O poderoso "New York Times" trouxe na capa de seu caderno "Fashon & Style", na edição-calhamaço de domingo último, um vasto artigo sobre o Reading Festival. É aquela coisa de americano, tentando analisar psico e sociologicamente que tipo de gente vai ao festival, qual sua importância para a economia mundial pós-11 de Setembro, essas paradas. Mas é divertido de ler. O autor, pelo menos, percebeu que tem cheiro do novo no ar. Disse que essa recém-acabada edição do Reading foi a que mais se aproximou da de 1992, que registrou a explosão galáctica do Nirvana e tal, o que parece ser a última banda-referência do articulista. Mas o texto vale a visita, de qualquer forma.
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MTV (A DOS EUA) COMPROVA
E aí o White Stripes, banda incomum para o rock standard, blues-punk gritado, guitarra insana suportada por uma baterista que enrosca a baqueta no cabelo na hora de tocar, vence quatro prêmios do VMA, a versão "a sério" do VMB daqui. O grupo do guitar hero Jack White só perdeu (4 x 3 prêmios) em destaque para o astro Eminem, vizinho rico de Detroit.
Na noite da premiação, que aconteceu semana passada em Nova York, dois destaques da noite foram as performances sequênciais dos suecos Hives ("Main Offender") e dos supracitados Vines ("Get Free").
* NA TV - A MTV Brasil passa o VMA americano nesta sexta-feira, dia 6, às 22h. Sábado, às 8h20, tem reapresentação. No domingo, mais duas.
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MAIS READING FESTIVAL
Duas últimas do maior evento pop do mundo, que aconteceu no último final de semana de agosto, na Inglaterra.
* A "New Musical Express" fez a lista das músicas que "abalaram" o megaevento. Aí vai a relação, que serve de bússula para quem procura canções legais na internet. Está na ordem de abalo sísmico e inclui apresentações em Leeds, no mesmo final de semana, onde acontece o festival-irmão menor do Reading.
1 - "Last Nite", Strokes
2 - "Welcome to the Jungle", Guns N'Roses
3 - "Get Free", The Vines
4 - "Whatever Happened to My Rock'N'Roll", Black Rebel Motorcycle Club
5 - "What a Waster", Libertines
6 - "Aka IDIOT", Vines
7 - "Soldier Girl", The Polyphonic Spree
8 - "Hotel Yorba", White Stripes
9 - "Stacked Actors", Foo Fighters
10 - "Take the Long Road and Walk It", The Music
11 - "In Love", The Datsuns
12 - "Cat Claw", The Kills
** Confira a atmosfera cool do Reading 2002, em foto do nova-iorquino Lockmann, que também estava no no festival inglês, No fundo, lá no palco, o White Stripes mandando bala.
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TESES BRAZUCAS
Duas matérias incríveis no Globo de segunda-feira desmistificadoras, tentando provar o improvável. Só parei no título, porque não deu tempo de ler. Mas ainda assim arrisco dizer que devem ser elucidativas. São elas:
* "Filme francês não é chato como se diz"
* "Coldplay é apenas uma banda legal".
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ERREI
Na semana passada, tirei um pêlo da horrenda música "Bananeira", mas errei na letra. Não é "Bananeira não sei, bananeira sei lá", que é cantado. E sim "Bananeira não sei, bananeira SERÁ". Agora fez sentido. A letra ficou até mais bacana.
* A música é de João Donato, musico acima do bem e do mal, segundo defendem amigos nos quais eu boto fé. A letra é de Gilberto Gil. Continuo achando de uma "beleza" sem igual. Está no disco da Bebel Gilberto, esse "Tanto Tempo", que é hypado em Londres. Por isso que o pobre rapaz em Camden Town tava tocando sem parar, tipo oito vezes em meia hora. Queria faturar um troco honesto em cima da versão "diferente". Pelo menos.
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LANÇAMENTOS LEGAIS
* Ainda não chegou, mas vai, nesta semana, o lançamento brasileiro do disco "Yankee Hotel Foxtrot", da bandaça americana Wilco. Lindo, lindo.
Álbuns que tem duas músicas iniciais como as de "YHF", que são "I Am Trying to Break Your Heart" e "Kamera", mereceria vender um milhão de cópias no Brasil. Não apenas 200, como vai. Confira o item promoção da semana.
* A Zomba Records faz a proeza de lançar no país o bacanudo disco de remixes das canções da seminal banda Stone Roses, de Manchester. Chama... "The Remixes". Traz gente/grupo como Grooverider, Jon Carter, Utah Saints, 808 State e Paul Oakenfold fuçando em clássicos do grupo que inventou o britpop, o indie dance e o escambau. Versão do clássico "Fools Gold" com o Grooverider é tudo.
* A Sony edita por aqui o ótimo DVD "More Than Us", material ao vivo do grupo escocês Travis, produzido durante vibrante show do simpatissíssimo grupo em casa, Glasgow, no ano passado.
Tem 18 músicas, documentário, câmeras legais. E termina com "Happy", que já vale o preço.
* A Trama faz a gentileza, o cavalheirismo, a fineza de lançar entre nós o último Jon Spencer Blues Explosion, "Plastic Fang". A versão nacional vem com uma bela faixa extra: "Do Ya Wanna Get It?".
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MIL TOQUES
* Mais The Vines (a última): na semana anterior ao Reading, a banda australiana liderada pelo demente Craig Nicholls, fez explosiva apresentação no famoso programa de entrevista do David Letterman, da CBS americana. Tocaram o hino "Get Free", Craig destruiu a guitarra na bateria, deu cambalhota no sofá do Letterman. Boquiaberto, o apresentador olhou para seus músicos de apoio e perguntou: "Vocês estão todos bem?".
No site da CBS dá para ver a performance, mas as estripulias de Nicholls estão cortadas. No endereço http://directory.google.com/top/arts/television/programs/dramas/24 tem a versão completa.
* Falando em clipe, o site www.qotsa.com, a casa virtual do Queens of the Stone Age, talvez a melhor banda do mundo hoje, proporciona a exibição do vídeo de "No One Knows", o primeiro single a ser extraído do novo álbum. Com Dave Grohl na bateria, efeitos extrabacanas e uma historinha linda do atropelamento de um veado vingador. Não dá para não ver logo.
* Beth Gibbons, cantora do Portishead e dona de uma das vozes mais dilacerantes da música, solta disco solo no dia 28 de outubro, na Inglaterra. Mas garante que não saiu de sua adorada banda, que prepara eterno disco novo.
* O indie-hero Márcio Custódio, ex-DJ Club, estréia novos projetos na Rabo de Saia, casa paulistana que agora passa a se chamar Plastic Fantastic (Morato Coelho, 575, Vila Madalena). Na sexta é anos 80 e no sábado, indie. Estréia sábado agora.
* Falando em casas paulistanas, pelas informações que eu tenho recebido o bicho está pegando na Funhouse (Bela Cintra, 567, Jardins). Ainda não consegui ir ao lugar.
* A cena indie se movimenta por todos os cantos. No Rio, o site London Burning (.com.br) arma festival beneficente neste sábado e domingo, para comemorar seu quarto aniversário. O evento se chama London Burning Gosta de Crianças e junta grupos de diversos cantos do Brasil, do gaúcho Winston ao baiano Soma. O site do LB tem todas as informações e a lista completa dos shows. Se você mora no Rio e está a fim de ir, escreva para lucio@uol.com.br. Vou sortear dois convites VIPs e aviso por e-mail, no sábado, quem via de graça ao festival.
* Em Minas Gerais, a internacional Motor Music comanda de quinta (5) a sábado (7) o festival Indie Rock Brasil, que toma de assalto o A Obra, no bairro Savassi. Tem MQN (GO), Walverdes (RS), Pelvs (RJ) e muito mais. Os detalhes todos estão no www.motormusic.com.br.
* A roqueira Goiânia prepara para a semana que vem (de 13 a 15) o Goiânia New Underground, festival de três noites e 15 bandas que é primo do Bananada e do Goiânia Noise.
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PROMOÇÃO DA SEMANA
Toma lá. Quem mandar e-mail para lucio@uol.com.br, discriminando o prêmio de preferência, corre o risco de faturar.
* Coldplay novo - Mais uma cópia de "A Rush of Blood to the Head", belíssimo álbum da agora megabanda britânica.
* Wilco, "Yankee Hotel Foxtrot" - versão americana do excelente álbum do grupo de Jeff Tweedy. Você sabe: Jeff Tweedy é Deus. Ainda não peguei na mão a versão brasileira, portanto não sei a diferença desta americana para a nacional.
* Pacote Gorillaz - liberado pela EMI, uma sacolinha Gorillaz que contem uma caneca style, mais uma embalagem dupla especial de divulgação que agrupa o CD "G Sides", a coletânea de lados B (G?) do Gorillaz, mais o CD "Laika Come Home", que consiste na divertida versão reggae de todas as músicas do álbum do Gorillaz, orquestrada pelos Spacemonkeyz.
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RESULTADO DAS PROMOÇÕES
(da semana passada e retrasada)
* Pacote Coldplay (CD novo + vídeo de show MTV EUA)
Paulo Rodrigues de Oliva
São Paulo, SP
* CD "Highly Evolved", do Vines
Carina M. Mastrantonio
Recife, PE
* camiseta do Reading Festival 2002
Lilian P.
Rio de Janeiro, RJ
* "NME", edição que tem o especial do Reading
Ângelo Fabrício da Rosa
Gravataí, RS
* Cópia em CD do Nirvana raro, "Rio Session"
Leandro Moura
Ribeirão Preto, SP
* revista "Q"- especial Oasis
Marcella Terezinha Atild
Porto Alegre, RS
Obs.: os prêmios serão enviados a partir de segunda-feira.
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PAPO COM DAVE GROHL
O texto abaixo saiu na Ilustrada, Folha, na segunda-passada. Teve uma versão beeeeeeeem mais enxuta, para que coubessem todos os elementos do "assunto Dave Grohl", que envolviam Foo Fighters/Nirvana/Queens of the Stone Age/Reading Festival.
Coisas do dia-a-dia em jornal. De qualquer modo, a entrevista foi longa e saborosa qualquer que fosse o tema tratado. Nestes anos todos operando na música pop, já entrevistei muitos rockers famosos ou não, indies ou de megabandas. Disparado, Grohl é um dos mais bacanas, mesmo tendo o currículo que tem. Enfim, eis o texto:
Quero ser Dave Grohl
Se a vida de alguma estrela do rock fosse filmada hoje, em uma produção talhada nos moldes do bem-sucedido "Quero Ser John Malkovich", Grohl seria o cara ideal para figurar no título. Há tempos, sabe-se, ele é um dos grandes nomes do pop mundial. Mas sua fase corrente é de causar inveja a Noel Gallagher.
Não bastasse carregar a eterna láurea de ter integrado o fenomenal Nirvana nos anos 90, Dave Grohl (1) comandou nos últimos dias a grande volta à ativa do popularíssimo Foo Fighters em apresentações gigantes pelo Reino Unido; (2) é atual membro da explosiva banda Queens of the Stone Age, que acaba de lançar seu celebrado terceiro álbum; e (3) está prestes a fechar um acordo com Courtney Love, viúva de Kurt Cobain, para que uma esperada caixa comemorativa de seu lendário ex-grupo chegue finalmente às lojas.
"Há mais de um ano que eu não consigo passar três dias seguidos em casa. Mas não tenho do que reclamar. Adoro essa vida", afirmou Grohl em entrevista à Folha no lendário clube Astoria, em Londres, logo após a passagem de som para a apresentação que faria horas depois e cujos ingressos evaporaram das bilheterias em minutos.
Guitarrista e vocalista do Foo Fighters (e baterista do QOTSA, revivendo sua função no Nirvana), Grohl esteve à frente de seu grupo no principal show da noite de sábado (último dia 24) do Reading Festival, considerado o maior evento pop do planeta.
"A gente não tocava por aqui há tempos e o precisava ser bom, como foi. Estávamos vibrantes, o público, excitado. A química foi perfeita. Tocar no Reading é sempre especial. Se você faz um bom show, será sempre lembrado por ele. Se a apresentação for um desastre, isso vai perseguir a banda como se fosse uma maldição. Vira um estigma que custa muito ou nunca será superado. É como uma maldição", afirmou o roqueiro.
"Foi a minha sexta vez no Reading, duas com o Nirvana e quatro com o Foo Fighters. E ainda assim dá para tremer quando você sobe naquele palco, diante de umas 60 mil pessoas", contou Grohl.
"Foi a primeira com o Foo Fighters como a atração principal do dia. Qual eu mais gostei? Esta última, a de anteontem. Mas todas tiveram sua importância. Lembro que, quando o Nirvana foi o headliner de 1992, tanto eu quanto o Kurt (Cobain) e o Krist (Novoselic) estávamos tão nervosos que passamos mal, momentos antes de entrar no palco. Lembro o Krist dizendo. 'Esse é o show mais importante de nossas vidas'.", recordou Dave, que estreou nos festivais europeus quando o Nirvana apareceu aos ingleses, na edição de 1991 do tradicional Reading.
Lembrado pela reportagem que o Foo Fighters tocou em 2001 para um público pelo menos três vezes maior no Brasil, no Rock in Rio 3, Dave Grohl mostrou boa recordação daquela noite de janeiro.
"Era meu aniversário, lembra? Estava bem nervoso naquele dia. Era nosso primeiro show no Brasil [Dave tocou em 93 no país, com o Nirvana] e eu não sabia que aquele público enorme sabia de nossas músicas, conhecia nossa banda", falou Grohl.
"Aí, um pouco antes de entrarmos no palco, mostraram nos telões um pedaço do clipe de 'Breakout'. E ouvimos aquela platéia imensa cantando a canção. Lembro que a música vinha como um rugido estrondoso até o backstage, onde estávamos. Olhamos um para a cara do outro e eu disse: 'Vamos lá. Eles nos amam'. Depois de uma apresentação daquela poderíamos tocar para qualquer público no mundo, senti naquela noite."
No Reading deste ano, o Foo Fighters começou seu show com a furiosa "All My Life", música nova que deve abrir o próximo CD da banda, "One by One",que terá lançamento mundial no final de outubro.
Dave já começou a tocar a música ainda fora do palco, que estava escuro antes de a banda entrar. Parecia que alguém só estava afinando a guitarra.
Mas aí veio Dave, puxando o grupo, guitarra em punho, executando acordes repetitivos. Parou na frente do palco, sempre tocando, e ficou olhando para a platéia, que estava aos urros. O grupo se posicionou, seguiram Dave na música, e lá estava o velho e bom Foo Fighters estremecendo o festival.
"All My Life", que chega às lojas 20 dias antes como single, é agridoce como toda boa música do Foo Fighters. Alterna momentos calmos e outros de uma explosão de guitarras ensurdecedoras. O público adorou.
"O novo disco é menos variado que os anteriores. É direto, agressivo. Estamos muito felizes com a forma que ele tomou. O álbum foi se formando naturalmente. Tínhamos uma lista grande de músicas novas a experimentar no estúdio, para compor o disco. Aí sobraram essas 11, 12, que acabaram fazendo do CD um disco pesado, punk."
Dave Grohl deixou claro que o Foo Fighters nunca esteve próximo do fim, mesmo com algumas divulgadas desavenças entre os membros da banda e sua participação paralela, como baterista integrado ao poderoso grupo californiano Queens of the Stone Age.
"O Foo Fighters é a coisa que eu mais gosto na vida. Nunca vou deixar essa banda acabar. O Oasis são os caras que mais brigam no rock e até hoje estão aí, firmes. E nossas discussões jamais tiveram as dimensões dadas a elas. Aliás, nem lembro quais foram essas desavenças.
"Sobre o Queens of the Stone Age, sou amigo do Nick e do Josh há muito tempo. E sempre adorei o grupo. Quando me chamaram, falei: 'Por que não?'", falou Dave, agora como baterista.
"Gravamos o disco há um ano, já. Diverti-me muito tocando com eles, também. A banda é sensacional, sempre abriram shows para o Foo Fighters. Grandes caras. Ainda nem vi o disco pronto.
Como tinha acabado de comprar o CD "Songs for the Deaf", do QOTSA, que tinha sido lançado na segunda-feira da entrevista em Londres, mostrei o disco a Grohl. Daí, a entrevista foi interrompida por dez minutos, para Dave manusear o CD da banda da qual também faz parte.
"Cara, ficou bonito, olha o papel [plastificado] do encarte. O Stone Age é mesmo uma megabanda agora", se encantou o roqueiro, que ainda tirou um sarro dos amigos Josh e Nick. "Os caras põem na contracapa do CD um aviso de que há uma música escondida ["Mosquito Song", hidden track]. Mas se está no encarte, já não é mais escondida", gozou.
Quando a entrevista foi retomada, era hora de falar de Nirvana.
Sobre a tal aguardadíssima caixa comemorativa de seu ex-grupo, que há muito tempo o mundo do rock está à espera e que conterá material ao vivo e inédito, Grohl tranquiliza a legião de fãs do Nirvana, quase tão viúvos de Kurt Cobain (1967-1994) quanto a própria Courney Love, que foi à Justiça para impedir o lançamento da edição especial do grupo que mudou o pop na década passada.
"A caixa está a caminho. Está tudo se ajeitando para que esse material chegue logo às lojas, mas é difícil ainda precisar uma data certa, por tudo o que ela envolve. Mas vai sair em breve, pode escrever", revelou Dave Grohl.
A respeito da famosa "Rio Session", aquela sessão de gravação do Nirvana, realizada em um estúdio no Rio de Janeiro em 1993, que foi parar na internet (coluna retrasada), Grohl mostrou-se surpreso.
"Pois é. Um amigo me contou hoje, por e-mail. O 'Ïn Utero' nasceu no Brasil. Kurt havia escrito algumas canções e arrumamos um estúdio legal no Rio. Gravamos várias demos. Mas nem lembro quais eram. Nunca mais ouvi essa fita, depois", contou.
Para quem não lembra, na histórica passagem do Nirvana pelo país em 1993, para estrelar o Hollywood Rock (SP e Rio) daquele ano, Cobain, Grohl e Novoselic gravaram algumas demos do que seria o futuro álbum do grupo, "In Utero", sucessor do antológico "Nevermind".
A BMG brasileira disse que a banda levou consigo, na época, todo o material gravado.
Faz parte da "Rio Session", a canção "Miss World", com Courtney Love na guitarra/vocal e Cobain no baixo. A música entrou no álbum "Live through This", ótimo CD do Hole (banda de Love), de 1994.
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BEATLES MENTINDO E REVISTA DA MTV vs. KERRANG!
Os Beatles ficam para a próxima coluna, que esta já está muuuuuuuuito grande. Sobre a pendenga das revistas, desencanei. Você vai estar por aí na semana que vem? Dê uma passada por aqui.
Até mais
Stay gorgeous.
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Lúcio Ribeiro, 41, é colunista da Folha especializado em música pop e cinema. Também é DJ, edita a revista "Capricho" e tem uma coluna na "Bizz". Escreve para a Folha Online às quartas. E-mail: lucio@uol.com.br |


