Mundo
14/06/2002 - 18h48

Bispos dos EUA votam por tolerância "quase zero" para pedofilia

da France Presse, em Dallas (EUA)

Os cerca de 300 bispos e cardeais norte-americanos reunidos em Dallas, no Texas, decidiram hoje que sacerdotes pedófilos serão retirados no ministério, mas não necessariamente da igreja. A decisão agora parte para a sanção do Vaticano.

O texto final da "Carta para a proteção das crianças e jovens" foi aprovado por 239 votos - apenas 39 votos foram contrários à medida.

"Hoje adotamos um documento importante para a história de nossa conferência", disse o presidente da Conferência Episcopal Católica dos Estados Unidos, Wilton Gregory.

O arcebispo Harry Flynn, que preside um comitê especial para abusos sexuais, havia dito hoje que "nenhum padre ou diácono que tenha abusado de um menor pode continuar seu ministério".

Muitos dos bispos que participam da reunião viam com reservas a tese da "tolerância zero", mas dois dias de debates, pressão da opinião pública e depoimentos de vítimas desequilibraram a balança. A igreja dos EUA analisava o perdão para padres que cometeram abuso apenas uma vez e se arrependeram.

Os escândalos de pedofilia que abalam a credibilidade da Igreja nos EUA crescem como uma bola de neve desde janeiro, quando se descobriu que vários bispos preferiam transferir seus subordinados pedófilos de paróquia, em vez de denunciá-los.

Quatro bispos e mais de 250 padres já perderam seu emprego desde então. O escândalo ultrapassou fronteiras e fez vítimas também na Polônia, Irlanda, Canadá e Austrália.

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