15/09/2001
-
17h24
Minha história como mãe de primeira viagem começou com uma surpresa -achava que, apesar dos 35 anos, ainda não estava preparada para tamanha responsabilidade e levei um susto quando descobri que estava grávida.
Minha inexperiência com o assunto é grande: não sou tia, madrinha e nunca acompanhei uma gestação de perto. O que me tranquilizou um pouco em relação ao que fazer para que tudo corresse bem foi o fato de uma boa parte dos meus últimos anos ter sido dedicada a ler, editar e escrever textos sobre vida saudável. Resolvi usar o bom senso: o que aprendi que faz bem para mim provavelmente seria bom para o bebê.
Meu cardápio mudou pouco: há anos evito comer fritura, carne vermelha, embutidos, salgadinhos e refrigerantes. No café da manhã, costumo tomar iogurte com aveia e gérmen de trigo, e como mamão ou outra fruta.
No almoço, em geral vou de arroz integral, feijão, salada verde, tomate, legumes refogados e peixe ou frango grelhado. Maçã, pêra ou iogurte fazem o meu lanche da tarde e nunca deixo de jantar: minha refeição é uma variação do almoço. Volta e meia, como um doce. Chequei com o meu médico, e ele confirmou que tudo poderia continuar assim.
Nos primeiros três meses (estou com quase 18 semanas), tive bastante enjôo. A sensação era de estar o tempo todo em um barco. Não podia nem sentir o cheiro de café (que antes tomava), queijo, leite e doce (de que sempre gostei). Tinha vontade de comer coisas salgadas e ácidas: o suco de tomate virou companheiro.
Minha digestão também ficou mais difícil. Mas descobri que ter sempre à mão um pacote de biscoitos integrais salgados e uma maçã melhoravam o problema. Também passei a não ficar mais de três horas sem comer alguma coisinha e levei para o trabalho pacotinhos de chá de erva-doce, hortelã e camomila, digestivos.
A gente vai aprendendo: sempre bebi bastante água, mas agora preciso tomá-la aos poucos, senão dá azia. Não tenho sofrido muito com ela, mas percebi que, quando ataca, nada de abacaxi ou laranja. Feijão, legumes crus e outras fibras também não combinam muito. O melhor é comer arroz integral e legumes cozidos, tomar uma canja ou comer banana prata, maçã e pêra.
A homeopatia também tem ajudado a conter enjôos, azia e a dor de cabeça eventual. Já para o sono de doer não tem remédio. No fim da tarde, dá vontade de dormir no banheiro. Mas fazer o quê?
No começo, fiquei na dúvida sobre o que adotar como exercício. Antes, nadava, fazia musculação, ginástica natural e corrida. Agora, mudei o foco para atividades menos exaustivas: continuo nadando, mas aderi à hidroginástica e ao lian gong, uma técnica chinesa que mistura princípios terapêuticos e exercícios físicos e respiratórios para aliviar dores musculares e tensões do dia-a-dia.
A natação é uma atividade aeróbica sem impacto, que melhora o condicionamento cardiovascular e aumenta o fôlego. A hidro inclui exercícios localizados que ajudam a manter o tônus muscular. Ambos melhoram a circulação, aliviam as dores nas costas, queimam calorias -engordei só dois quilos nas primeiras 14 semanas- e ajudam a não inchar e a evitar a celulite, já que a pressão que a água exerce sobre o corpo estimula a eliminação de líquidos.
O lian gong me mantém mais equilibrada, pois sou agitada por natureza. Dá para encaixar tudo: trabalho de oito a dez horas por dia e aproveito a hora do almoço para me exercitar: gasto de 45 minutos a uma hora, de segunda a sexta.
Para completar, estou tomando um suplemento de ácido fólico, importante para o desenvolvimento das células nervosas do bebê, e vitaminas e minerais manipulados, recomendados por meu médico ortomolecular (tudo com autorização do obstetra).
Acho que a maternidade nos deixa menos egoístas: tenho sempre na cabeça que tudo o que comer, beber, fizer, sentir, vai ser recebido em dose dupla, por mim e pelo bebê. Então, quero fazer direito a minha parte, para dar a ele tudo de bom. (por Angélica Banhara, 35, redatora-chefe da revista "Boa Forma")
Leia mais:
Avanços da medicina auxiliam gestação
Saiba quais são os exames necessários na gravidez
Em casos especiais avaliações são necessárias
Folha: Atriz diz que gravidez é oportunidade em qualquer idade
Parto natural é saudável, mas perde espaço para cesárea
Normal ou cesárea?
Cuidado com alimentação e exercícios melhoram auto-estima
Veja como é a gestação semana a semana
Confira 34 dicas úteis durante a gravidez
Leia também:
Parto muda e novas técnicas revolucionam relação entre mãe e filho
Revista: Jornalista dá depoimento sobre gestação
da Revista da FolhaMinha história como mãe de primeira viagem começou com uma surpresa -achava que, apesar dos 35 anos, ainda não estava preparada para tamanha responsabilidade e levei um susto quando descobri que estava grávida.
Minha inexperiência com o assunto é grande: não sou tia, madrinha e nunca acompanhei uma gestação de perto. O que me tranquilizou um pouco em relação ao que fazer para que tudo corresse bem foi o fato de uma boa parte dos meus últimos anos ter sido dedicada a ler, editar e escrever textos sobre vida saudável. Resolvi usar o bom senso: o que aprendi que faz bem para mim provavelmente seria bom para o bebê.
Meu cardápio mudou pouco: há anos evito comer fritura, carne vermelha, embutidos, salgadinhos e refrigerantes. No café da manhã, costumo tomar iogurte com aveia e gérmen de trigo, e como mamão ou outra fruta.
No almoço, em geral vou de arroz integral, feijão, salada verde, tomate, legumes refogados e peixe ou frango grelhado. Maçã, pêra ou iogurte fazem o meu lanche da tarde e nunca deixo de jantar: minha refeição é uma variação do almoço. Volta e meia, como um doce. Chequei com o meu médico, e ele confirmou que tudo poderia continuar assim.
Nos primeiros três meses (estou com quase 18 semanas), tive bastante enjôo. A sensação era de estar o tempo todo em um barco. Não podia nem sentir o cheiro de café (que antes tomava), queijo, leite e doce (de que sempre gostei). Tinha vontade de comer coisas salgadas e ácidas: o suco de tomate virou companheiro.
Minha digestão também ficou mais difícil. Mas descobri que ter sempre à mão um pacote de biscoitos integrais salgados e uma maçã melhoravam o problema. Também passei a não ficar mais de três horas sem comer alguma coisinha e levei para o trabalho pacotinhos de chá de erva-doce, hortelã e camomila, digestivos.
A gente vai aprendendo: sempre bebi bastante água, mas agora preciso tomá-la aos poucos, senão dá azia. Não tenho sofrido muito com ela, mas percebi que, quando ataca, nada de abacaxi ou laranja. Feijão, legumes crus e outras fibras também não combinam muito. O melhor é comer arroz integral e legumes cozidos, tomar uma canja ou comer banana prata, maçã e pêra.
A homeopatia também tem ajudado a conter enjôos, azia e a dor de cabeça eventual. Já para o sono de doer não tem remédio. No fim da tarde, dá vontade de dormir no banheiro. Mas fazer o quê?
No começo, fiquei na dúvida sobre o que adotar como exercício. Antes, nadava, fazia musculação, ginástica natural e corrida. Agora, mudei o foco para atividades menos exaustivas: continuo nadando, mas aderi à hidroginástica e ao lian gong, uma técnica chinesa que mistura princípios terapêuticos e exercícios físicos e respiratórios para aliviar dores musculares e tensões do dia-a-dia.
A natação é uma atividade aeróbica sem impacto, que melhora o condicionamento cardiovascular e aumenta o fôlego. A hidro inclui exercícios localizados que ajudam a manter o tônus muscular. Ambos melhoram a circulação, aliviam as dores nas costas, queimam calorias -engordei só dois quilos nas primeiras 14 semanas- e ajudam a não inchar e a evitar a celulite, já que a pressão que a água exerce sobre o corpo estimula a eliminação de líquidos.
O lian gong me mantém mais equilibrada, pois sou agitada por natureza. Dá para encaixar tudo: trabalho de oito a dez horas por dia e aproveito a hora do almoço para me exercitar: gasto de 45 minutos a uma hora, de segunda a sexta.
Para completar, estou tomando um suplemento de ácido fólico, importante para o desenvolvimento das células nervosas do bebê, e vitaminas e minerais manipulados, recomendados por meu médico ortomolecular (tudo com autorização do obstetra).
Acho que a maternidade nos deixa menos egoístas: tenho sempre na cabeça que tudo o que comer, beber, fizer, sentir, vai ser recebido em dose dupla, por mim e pelo bebê. Então, quero fazer direito a minha parte, para dar a ele tudo de bom. (por Angélica Banhara, 35, redatora-chefe da revista "Boa Forma")
Leia mais:
Leia também:

