Equilíbrio
15/09/2001 - 17h17

Revista: Normal ou cesárea?

da Revista da Folha

Leia depoimentos de duas mães que tomaram decisões opostas e descrevem as vantagens e desvantagens de cada alternativa.

O contato compensa a dor

"Conhecia as vantagens do parto normal e já estava decidida desde o começo. A cesárea só não dói na hora. Na recuperação, acho que o sofrimento é pior. O meu parto foi tranquilo. Eu estava calma e acho
que isso foi essencial.

As primeiras contrações começaram por volta de 20h, mas só fui para o hospital lá pelas 22h30, quando elas já estavam num ritmo progressivo. A bolsa tinha estourado e eu estava com alguns centímetros de dilatação.

No começo a dor é suportável, como a de cólica menstrual. Só a última hora antes de o Vinicius nascer, entre a meia-noite e a uma da manhã, é que foi muito, muito dolorida. Mas passou. Assim que ele nasceu, olhei para o relógio que estava na parede, atrás de mim. Faltavam 15 segundos para a 1h15. Na verdade, achei que fosse demorar mais. Ele saiu chorando alto, foi limpo por alguns minutos e, em seguida, colocado no meu peito.

Por mais que tivesse família, amigos, namorado, a sensação que tive
naquele instante foi a de que não estava mais sozinha no mundo.

Depois nos levaram para o quarto. Não consegui dormir porque tive
medo de esmagá-lo, coisas de mãe de primeira viagem.

Fomos embora no mesmo dia. Eu e meu filho não corremos o risco de uma cirurgia e meu processo de recuperação foi ótimo, então aquelas poucas horas de dor compensaram. Avaliando tudo isso, acho que foi a melhor escolha."

Ellen Sezerino, 22, estudante, mãe de Marcos Vinicius Sezerino, 4.


Tive tempo para arrumar tudo

"Tinha muito medo de passar pelas dores de um parto normal, por isso optei pela cesárea logo no início. Uma das coisas que me preocupavam era o bebê nascer antes da hora ou durante um fim de semana, num dia em que meu médico não estivesse disponível. Já pensou ter de fazer o parto com qualquer um?

Quando chegou na penúltima semana, porém, o médico disse que a cesárea era o mais indicado para mim, pois o meu bebê não estava se encaixando. Foi um alívio! Pelo menos agora eu tinha uma justificativa, pensei. O melhor foi ter nos livrado daquela correria: chega a hora, e sai todo mundo desesperado para a maternidade. Tive tempo suficiente para
arrumar tudo direitinho antes.

A cirurgia durou uma hora. Eu estava muito nervosa, mesmo com meu marido ao meu lado, dando apoio. Depois que a Aninha nasceu, às 8h, eu dei uma olhadinha rápida nela. Não pude colocá-la no peito em seguida como gostaria, porque eles a levaram para a observação. Só fui vê-la novamente às cinco da tarde. Foi a maior expectativa, não consegui dormir até tê-la nos braços novamente.

Quando passa a anestesia, dói muito, mas é suportável. No pós-parto, tive poucas dores, mas sou uma exceção. Reconheço as vantagens do parto normal, mas se tiver outro filho, vou fazer cesárea novamente. Acho um absurdo a mulher ter de ficar horas sofrendo, forçando tanto."

Ana Lúcia dos Santos, 26, dona-de-casa, mãe de Ana Luiza dos Santos, 4.

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