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"As drogas proporcionam prazer rapidamente. É fuga, liberdade. É ter forças para encarar a vida e um futuro sem sentido. Eu quis pagar para ver". Esse é um dos relatos que fazem parte da pesquisa Jovens e Drogas: Sociabilidades Alternativas, realizada por antropólogos da ONG Imagens Educação, de São Paulo. Eles observaram durante três meses (agosto a novembro de 2000) a percepção do jovem usuário sobre o universo das drogas. A investigação aconteceu em bares da Zona Oeste da cidade e na sede de uma associação de bairro da região Sudeste. Os adolescentes pesquisados tinham entre 12 e 21 anos, eram usuários de diferentes drogas (principalmente de maconha) e nenhum deles estava em tratamento clínico. Foram colhidos relatos espontâneos, captados em conversas nas quais os jovens falaram abertamente de suas experiências e rituais para o consumo. Nos depoimentos, constatou-se que os jovens vêem o álcool e o cigarro como drogas, assim como o crack e a cocaína. Mas a maconha, por ser uma erva, não é considerada droga. A pesquisa revelou também as normas de conduta para o uso, que incluem a idéia de partilha, a não interferência ou discriminação da conduta alheia, e a auto-consciência sobre os próprios limites. "Se você consegue se divertir usando ou não usando, tudo bem. Mas, se você só consegue se divertir usando algum tipo de droga, aí, já está mal", diz um dos jovens. "A pesquisa torna evidente a 'positividade' do uso de drogas para os jovens, ligada ao prazer, à satisfação dos desejos, à inserção em grupos", afirma o estudo. Os pesquisadores concluem que as campanhas publicitárias pontuais e de impacto precisam ser vinculadas a um processo educacional aberto ao diálogo. Essa seria a única forma de contribuir efetivamente para uma mudança de comportamentos. - Faça
o download da íntegra da pesquisa (105K)
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